Movimento independentista africano é retratado em Mostra de cinema no Rio de Janeiro

A mostra “África(s). Cinema e memória em construção”, que está em exibição na Caixa Cultural Rio de Janeiro até domingo, dia 2 de dezembro, é resultado de uma pesquisa feita pela curadora Lúcia Ramos Monteiro durante quase dez anos. O fio condutor para a seleção dos 42 filmes que podem ser assistidos são os movimentos independentistas de Guiné Bissau, Moçambique e Angola, durante a década de 1970, que entenderam que era preciso reconstruir a memória de seu povo para construir uma identidade nacional.

“O caso da Guiné Bissau é interessante porque o líder independentista de lá, Amílcar Cabral, enviou quatro jovens negros para estudar cinema em Cuba, para que eles fizessem os primeiros filmes da nação independente. Nós estamos exibindo dois desses cineastas, Flora Gomes e Sana N’Hada. Tem alguns filmes que foram feitos por brasileiros, principalmente sobre a independência em Moçambique, como Murilo Salles, Zé Celso e Lucas, do Teatro Oficina; também tem Licinho Azevedo, cineasta gaúcho radicado há muitos anos no país a ponto de ser considerado moçambicano; e Rui Guerra, que nasceu em Moçambique quando era colônia de Portugal e eu volta para lá para comandar um processo de formação de cinema do país”, explica a curadora.

Apesar do tema, algumas películas brasileiras foram selecionadas numa tentativa de aproximar a discussão para a realidade brasileira:

“Incluímos filmes de cineastas negras como Yasmim Thayná, Safira Moreira porque, por um lado, essas produções mostram a atualidade de algumas das questões que eram discutidas na década de 1970. Sem contar que o cinema feminino negro é o que está acontecendo de mais forte na cena contemporânea no Brasil atualmente. Dá muito prazer e fico contente que elas façam parte da seleção”, diz Lúcia Ramos Monteiro.

O fato das obras selecionadas não serem exclusivamente de cineastas negros mostra que ainda há uma dificuldade, tanto no Brasil quanto no além-mar, para que as narrativas sejam contadas pela perspectiva dos sujeitos daquela história. A curadora Lúcia Ramos Monteiro reconhece esse ponto, mas é otimista quanto ao futuro da produção audiovisual negra autoral.

“Tem uma série de dificuldades que o cineasta negro enfrenta, tanto para ter acesso ao material de gravação, quanto para divulgar, distribuir… É um caminho longo e difícil. Mas a consciência desse problema e dos apagamentos que os cineastas negros sofrem está crescendo, o que faz com que espaços sejam abertos para esse cinema africano e afro-diaspórico. No Brasil, esse movimento tem se manifestado com muita força e de maneira muito bonita. Não acredito na possibilidade de um retrocesso nesse sentido”, reflete a curadora Lúcia Ramos Monteiro.

Veja abaixo a programação completa:

23 de novembro (sexta-feira)

16h – A colheita do diabo (1988), de Licínio Azevedo e Brigitte Bagnol, Moçambique/ França, 52 min, DVD, Livre; Hóspedes da noite (2007), de Licínio Azevedo, Moçambique, 53 min, DVD, 14 anos

18h30 – Comboio de sal e açúcar (2016), de Licínio Azevedo, Moçambique/ Portugal/ Brasil/ França/ África do Sul, 100 min, Blu-ray, 14 anos. Sessão comentada pelo pesquisador Alex Santana França

24 de novembro (sábado)

15h30 – Assim estamos livres. Cinema moçambicano 1975-2010 (2010), de Silvia Vieira e Bruno Silva, Portugal, 16 min, DVD, 12 anos; Kuxa Kanema. O nascimento do cinema (2003), de Margarida Cardoso, Portugal/ Moçambique/ França/ Bélgica, 52 min, Blu-ray, Livre; Transmissão das zonas libertadas(2016), de Filipa César, Portugal/ França/ Alemanha/ Suécia, 30 min, Blu-ray, 12 anos

17h30 – 25 (1975), de Celso Luccas e José Celso Martinez Corrêa, Moçambique/ Brasil, 140 min, Blu-ray, Livre. Sessão seguida de debate com o cineasta Celso Luccas e com o crítico e pesquisador Juliano Gomes

25 de novembro (domingo)

16h – O tempo dos leopardos (1985), de Zdravko Velimorovic e Camilo de Sousa, Moçambique/ Iugoslávia, 91 min, DVD, 14 anos

18h – Yvone Kane (2014), de Margarida Cardoso, Portugal/ Brasil, 118 min, Blu-ray, 12 anos

27 de novembro (terça-feira)

16h – O vento sopra do norte (1987), de José Cardoso, Moçambique, 90 min, DVD, 14 anos

18h30 – Xime (1994), de Sana Na N’Hada, Guiné-Bissau/ Holanda/ França, 95 min, DVD, Livre

28 de novembro (quarta-feira)

16h – Cinzas (2015), de Larissa Fulana de Tal, Brasil, 15 min, Blu-ray, 12 anos; Na cidade vazia (2004), de Maria João Ganga, Angola/ Portugal, 90 min, DVD, Livre

18h30 – Spell Reel (2017), de Filipa César, Guiné-Bissau/ Portugal/ França/ Alemanha, 96 min, Blu-ray, 12 anos

29 de novembro (quinta-feira)

16h – Travessia (2017), de Safira Moreira, Brasil, 4 min, Blu-ray, Livre; Avó (Muidumbe) (2009), de Raquel Schefer, Portugal/ França, 11 min, Blu-ray, Livre;Mueda, memória e massacre (1979-1980), de Ruy Guerra, Moçambique, 80 min, DVD, 14 anos

18h – Os comprometidos (1983), de Ike Bertels, Holanda, 51 min, DVD, Livre; Estas são as armas (1978), de Murilo Salles, Moçambique, 60 min, Blu-ray, 16 anos. Sessão seguida de debate com o cineasta Murilo Salles e com a curadora Lúcia Ramos Monteiro

30 de novembro (sexta-feira)

16h – Kadjike (2013), de Sana Na N’Hada, Guiné-Bissau/ Portugal, 115 min, DVD, 12 anos

18h30 – A minha fala (2002), de Flora Gomes, Guiné-Bissau/ Portugal/ França/ Luxemburgo, 85 min, DVD, 12 anos. Sessão comentada pela curadora Lúcia Ramos Monteiro e pela pesquisadora Jusciele Oliveira

1º de novembro (sábado)

16h – Mc Soffia (2015), de Renata Martins, Brasil, 5 min, Blu-ray, Livre; A república dos meninos (2012), de Flora Gomes, Portugal/ França/ Guiné-Bissau/Bélgica/ Alemanha, 78 min, Blu-ray, 14 anos

18h – Nshajo (O jogo) (2010), de Raquel Schefer, Portugal, 8 min, Blu-ray, Livre; Tudo bem, tudo bem, vamos continuar (2013), de Mathieu Kleyebe Abonnenc, Portugal/ França, 31 min, Blu-ray, Livre; Makwayela (1977), de Jean Rouch, Moçambique/ França, 19 min, DVD, Livre. Sessão seguida de debate com Jocelyne Rouch, presidenta da Fundação Rouch, com a pesquisadora Jusciele Oliveira e com a curadora Lúcia Ramos Monteiro

2 de novembro (domingo)

16h – Monangambée (1968), de Sarah Maldoror, Angola/ França, 15 min, Blu-ray, 14 anos; Fogo, uma ilha em chamas (1979), de Sarah Maldoror, Cabo Verde, 34 min, Blu-ray, Livre; Prefácio a Fuzis para Banta (2011), de Mathieu Kleyebe Abonnenc, França, 25 min. Blu-ray, Livre; Kbela (2015), de Yasmin Thayná, Brasil, 22’, Blu-ray, 12 anos

18h – Quilombo das Brotas (2017), de Renata Martins, Brasil, 8 min, Blu-ray, Livre; Monga, retrato de café (2017), de Everlane Moraes, Cuba, 13 min, Blu-ray, Livre; Na dobra da capulana (2014), de Isabel Noronha e Camilo de Sousa, Moçambique, 30 min, DVD, Livre; Mulheres da guerra (1984), de Ike Bertels, Holanda, 50 min, DVD, Livre

Serviço:

Mostra África(s). Cinema e memória em construção

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1 (Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro – Metrô e VLT: Estação Carioca)

Data: 20 de novembro a 02 de dezembro de 2018 (terça-feira a domingo)

Horários: Consultar programação

Informações: (21) 3980-3815

Ingressos: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia.

Bilheteria: terça-feira a domingo, das 13h às 20h

Duração: Consultar programação

Classificação Indicativa: Consultar programação

Capacidade: Cinema 1 – 78 lugares (mais 3 para cadeirantes)

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

Site: mostraafricas.com

Facebook: www.facebook.com/africascinemaerevolucao/

Lídia Michelle Azevedo

Formada em Comunicação Social - Jornalismo pela UFRJ, em 2009, já passou pelas redações do Jornal dos Sports, Assessoria de Imprensa do IBDD (Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiencia) Revista Ferroviária, Expresso, Extra, Canal A e atualmente está na assessoria de comunicação da Fundação Cecierj.

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