Luellem de Castro, a Talíssia de Malhação, comemora sua personagem: “Na dramaturgia, falta gente que se importe em falar sobre nossa vivência do nosso ponto de vista”

Com uma carreira de 16 anos, a atriz, cantora e compositora Luellem de Castro, de 23, tem encantado o público como a doce Talíssia em Malhação: Vidas Brasileiras. Na ficção, vive uma jovem candomblecista, moradora de comunidade, que é bolsista no Colégio Sapiência e mãe solteira da pequena Valentina. Luellem tem quase a mesma idade da famosa série da TV Globo que tem abordado, nos últimos anos, de forma mais profunda, temas como racismo, homofobia, violência contra a mulher.

Diferentemente do que acontecia nas temporadas anteriores, Malhação tem hoje três negras e um negro com papéis de destaque. Além de Talíssia, há as personagens Jade, vivida por Yara Charry, Dandara, interpretada por Jeniffer Dias, e Garoto, na pele do ator Pedro Maya. Para Luellem, faltam autores e diretores negros aos atores negros na dramaturgia brasileira.

“O que falta para a gente é gente que se importe em falar sobre nossa vivência do nosso ponto de vista. E isso só acontece quando a pessoa tem propriedade para falar”, avalia a artista.

Na série, Talíssia sofreu com a intolerância religiosa. Uma das cenas mais belas e comentadas dessa temporada foi o batismo da filha da personagem, dentro do candomblé. A atriz, que também é candomblecista, comemora o fato de poder representar situações ainda tão presentes na sociedade:

“É mágico! Acho incrível fazer entretenimento falando sobre coisas importantes. Ampliar o diálogo, alcançar mais pessoas. Ficaria muito feliz em ser a atriz escolhida para fazer sempre papéis que falem de coisas reais e importantes. Adoraria ser vista como porta-voz da minha voz. Da minha gente”. 

A entrada no meio artístico começou bem cedo para a atriz. Aos 7 anos, ela fez uma foto para participar de uma agência e foi escolhida para um teste. Fez o filme “No Meio da Rua”,  do Antônio Carlos da Fontoura, e nunca mais trabalhou com outra coisa. É a segunda passagem de Luellem em Malhação. A primeira foi há cinco anos, quando viveu Ana Flor, aluna de uma escola de arte e que também cantava. A música é o elo da atriz com suas personagens. Na vida real, Luellem canta na banda “Nós Somos”. 

“Pretendo dar mais atenção para esse lado musical, lançar clipes, músicas, fazer show. É um lado que exploro pouco ainda”, planeja. 

A atriz participa ainda do “Sarau Dazamiga”, projeto feito por e para mulheres, e realizado em Duque de Caxias, cidade onde Luellem nasceu e cresceu. 

“O Sarau Dazamiga surgiu quando a Anedilei Rocha entendeu que só ficava sabendo de movimentos feministas em lugares muito distantes de Caxias. Ela constatou que a maioria das mulheres que tinham coisas incríveis para falar sobre feminismo era branca e não conseguia se comunicar bem com a nossa galera. Então, ela idealizou o projeto e eu sou muito feliz em fazer parte desse trabalho. Normalmente, nós fazemos um sarau majoritariamente feminino, um espaço para que as meninas falem sobre o que quiserem falar, mostrem suas músicas, suas poesias. É lindo”, explica atriz, ressaltando que o projeto está sem previsão de ser retomado por falta de patrocínio. 

Cintia Cruz

Formada em Jornalismo pela PUC-Rio, em 2008, é mãe do Benício, moradora da Baixada Fluminense e tem 36 anos. Trabalhou na Rádio MEC, trabalhou como assessora de imprensa, escreveu para a Revista Raça Brasil e foi freelancer do Canal Futura. Desde 2010, é repórter do Jornal Extra.

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