Levantamento mostra que menos de 2% dos monumentos de São Paulo representam negros

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Zumbi dos Palmares é um dos representados na capital Paulista – Foto: Reprodução/Instituto Pólis

Um levantamento realizado pelo Instituto Pólis mostra que, dos 367 monumentos catalogados, que homenageiam personalidades e fatos históricos na cidade de São Paulo, menos de 2% representam pessoas negras. A pesquisa foi feita a partir de dados do GeoSampa, mapa digital da cidade, com o objetivo de contribuir com o debate público sobre a representação histórica e visual da capital paulista.

Das 367 obras, 200 retratam figuras humanas, mas apenas cinco são de pessoas negras – aproximadamente 1,3% do total – sendo quatro figuras masculinas e uma feminina: Luiz Gama (1931); Engraxate e o Jornaleiro (1950); Marighella (2004); Zumbi dos Palmares (2016) e Mãe Preta (1955). Segundo o estudo, o volume que esses monumentos ocupam a cidade é relativamente inferior a vários monumentos brancos. “Que histórias as cidades nos contam? Quem são as pessoas imortalizadas nos espaços públicos da cidade? O que elas simbolizam? Quais narrativas podemos ter sobre elas?”, são algumas perguntas que, de acordo com o relatório do Instituto Pólis nortearam a pesquisa.

Levantamento revela apenas 5 pessoas negras representadas nos monumentos paulistas – Foto: Instituto Pólis

O estudo também avaliou os bairros em que estão localizados os monumentos. A maioria deles está localizada na região central e em bairros nobres: Moema (44), Sé (43), República (37), Jardim Paulista (24) e Consolação (23). Por outro lado, 39 distritos – a maioria com localização periférica – não têm nenhum monumento e 21 contam com apenas uma obra. A capital paulista tem um total de 96 distritos.

Ainda de acordo com o levantamento, em São Paulo há 14 monumentos que homenageiam “pessoas controversas”, as quais foram ligadas à ditadura e à manutenção da escravização, como Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral.

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Samily Loures

Baiana em terras capixabas, é formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo). Com atuação em publicidade social e pesquisa em Identidade Negra, acredita que a comunicação pode ser instrumento de mudanças sociais. Apesar de militante e sagitariana, consegue levar a vida com serenidade. E deboche.

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