Katherine Johnson, matemática que fez história na Nasa, morre aos 101 anos

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A matemática teve sua história retratada no filme “Estrelas além do tempo”

Katherine G. Johnson trabalhando na Nasa em 1966. Foto: Nasa

A física, cientista espacial e matemática, Katherine Johnson faleceu na última segunda-feira (24), aos 101 anos. A matemática lutou contra o racismo e se juntou a um grupo de mulheres contratadas pela National Aeronautics and Space Administration (NASA) para o Centro de Pesquisa Langley, na década de 50. Foram seus cálculos que ajudaram a missão Apolo 11 a ter sucesso e Neil Armstrong a pisar na Lua (1969), mas também os que estabeleceram a trajetória da primeira viagem ao espaço de um americano, Alan Shepard (1961).

“Eu contava tudo, os passos até a estrada, os passos até a igreja, o número de pratos e talheres que eu lavava… Tudo o que podia ser contado, eu contava”, disse Johnson em uma entrevista à NASA. Nos anos 50 os Estados Unidos da América (EUA) ainda tinha a lei de segregação racial, mas Katherine garante que “lá você pesquisava. Tinha uma missão e trabalhava nela”, afirmou ao falar da NASA. No entanto, quando começou a trabalhar com brancos, seus colegas exigiram que ela usasse uma cafeteira diferente.

Katherine Jhonson na NASA aos 100 anos. Foto: NASA

O administrador da NASA Jim Bridenstine usou o seu Twitter para dizer que Katherine “foi uma heroína americana e seu legado pioneiro nunca será esquecido.”

Katherine Johnson nasceu em 26 de agosto de 1918, no estado da Virgínia, e aos dez anos já cursava o ensino médio. Entrou para a Universidade Estadual de West Virginia onde se graduou em Matemática e Francês com honras máximas no ano de 1937 e aceitou um trabalho como professora em uma escola pública para negros. Em 1952 participou de uma seleção para a seção de computação da ala oeste (onde trabalhavam os afro-americanos) do Laboratório Langley da Naca – a agência que antecedeu a NASA – onde trabalhou por mais de 30 anos.

Devido o trabalho e dedicação à NASA, Johnson recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade em 2015, a maior condecoração civil dos Estados Unidos, das mãos do então presidente Barack Obama. A matemática também recebeu homenagem da Mattel. A marca lançou uma coleção com 14 bonecas inspiradas em mulheres que marcaram a história para o Dia Internacional da Mulher em 2018.

Sua história foi contada no livro “Hidden Figures”, de Margot Lee Shetterly, no qual se baseou o filme “Estrelas Além do Tempo”. Além de Katherine, Dorothy Vaughan e Mary Jackson formam as protagonistas do longa. O filme recebeu 8 indicações para o Oscar de 2017.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, fundadora e CEO do portal Notícia Preta e podcaster do Canal Futura. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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