Juventude negra está à frente do Conselho Estadual no Espírito Santo

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Wallace Vargas e Ramon Matheus, presidente e vice-presidente respectivamente do Cejuve ES – Foto: Arquivo pessoal

No Espírito Santo, a juventude negra está à frente da gestão do biênio 2020-2022 do Conselho Estadual de Juventude (Cejuve). Isso porque, tanto o presidente Wallace Vargas, que representa o poder público, quanto o vice Ramon Matheus dos Santos, que representa a sociedade civil, são negros. 

O Cejuve é um órgão de caráter consultivo, vinculado à Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) que reúne governo e sociedade para pensar, planejar e articular as políticas voltadas para as juventudes. As funções de presidente e vice-presidente são alternadas entre poder público e sociedade civil. Neste ano, como vice, a sociedade civil escolheu o Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) para ocupar a função por causa da realidade de extermínio da juventude negra no Estado.

Ter duas pessoas negras à frente do Conselho também é significativo para os gestores. “Quando olhamos para os espaços na qual as políticas públicas são elaboradas, onde estão as pessoas negras? Essa é uma pergunta que deve incomodar toda a sociedade. A população negra foi historicamente excluída dos espaços do poder devido a um racismo estrutural que interfere em todas as relações sociais, inclusive na forma como as políticas são pensadas. Por isso, é significativo quando pessoas negras assumem a direção de um espaço como o Cejuve, principalmente quando essas pessoas conhecem as demandas específicas da juventude negra”, explica Ramon, representante do Fejunes e vice-presidente. 

“Ter dois jovens negros à frente é uma quebra de paradigma. É a gente falando que o tempo de silenciamento da população negra acabou e que ela pode sim estar ocupando espaços como esse. É o jovem negro do interior vendo um corpo similar ao dele ocupando um espaço de poder e assim voltando a acreditar em um futuro que muitas vezes nos é retirado”, afirma o presidente Wallace, que é de Cachoeiro do Itapemirim, sul do Estado do Espírito Santo.

A nova gestão, que tomou posse há uma semana, já tem um grande desafio: a elaboração do Plano Estadual de Políticas para as Juventudes. “Temos que estabelecer um maior diálogo com a sociedade civil para que essa construção não fique restrita a pequenos grupos de juventudes. Precisamos garantir a participação daqueles jovens que as políticas públicas não chegam, principalmente os jovens negros, das periferias e do campo”, afirma Ramon. 

“Temos o desafio de também trazer a perspectiva do jovem negro do interior para dentro do plano. Nosso maior objetivo é trazer pessoas que não entendem o que são políticas públicas para juventude mas que gostariam de participar desses espaços que infelizmente estão inviabilizados”, ressalta Wallace.

A SEDH está disponibilizando uma Consulta Pública para a elaboração do Plano Estadual de Políticas para as Juventudes em que sugestões e considerações podem ser feitas até o dia 20 de dezembro deste ano no site https://juventudes.es.gov.br/

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Samily Loures

Baiana em terras capixabas, é formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo). Com atuação em publicidade social e pesquisa em Identidade Negra, acredita que a comunicação pode ser instrumento de mudanças sociais. Apesar de militante e sagitariana, consegue levar a vida com serenidade. E deboche.

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