Jarid Arraes é confirmada na Flip 2019

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Presente ano passado na programação da Casa Insubmissa de Mulheres Negras, que aconteceu paralelamente às mesas oficiais, Jarid Arraes foi confirmada esta semana como autora convidada a participar oficialmente da 17ª edição da Flip. O evento será realizado entre os dias 10 e 14 de julho em Paraty.

Autora de As Lendas de Dandara, Heroínas negras brasileiras: em 15 cordéis e Um buraco com meu nome, a escritora, cordelista e poeta cearense mobiliza formas tradicionais e questões de ancestralidade na construção de uma literatura de luta e engajamento político. Em junho deste ano, lança seu primeiro livro de contos, Redemoinho em dia quente. É também curadora do selo literário Ferina, da Pólen Livros, dedicado à publicação de escritoras mulheres.

“Jarid Arraes é uma autora híbrida: suas referências são uma mistura de Cariri com Lady Gaga. Ela bebe nas tradições e em sua própria história familiar, ao mesmo tempo em que as subverte, olhando sempre com seriedade para as questões políticas deste momento. Sua escrita tem o frescor potente de quem se desloca para conhecer outras paragens, geográficas e metafóricas”, diz a Fernanda Diamant, curadora da 17ª Flip.

Capa do livro que será lançado em junho

A autora e as obras

Jarid Arraes nasceu em Juazeiro do Norte, no Ceará, em 1991, e atualmente vive em São Paulo. Filha e neta de cordelistas e xilogravadores, teve contato desde muito cedo com a cultura nordestina tradicional, especialmente com a literatura de cordel. Aos 20 anos, já atuava em blogs e outras plataformas on-line, e em redes de discussão feministas. Foi colunista da Revista Fórum de 2013 a 2016, colaborando com textos sobre questões de gênero, raça e cultura.

Em 2012, a autora deu início à publicação de cordéis, motivada pela vontade de manter viva a tradição familiar e, ao mesmo tempo, de encontrar uma voz própria, que diversificasse os temas e os personagens até então retratados. Hoje, ela conta com mais de 60 cordéis publicados – muitos sobre mulheres negras, como Carolina Maria de Jesus, Luísa Mahin e Maria Firmina dos Reis, ou sobre questões de identidade, passando por gênero, raça e sexualidade. Com dezenas de milhares de cópias vendidas de seus livros, ainda hoje é a própria Jarid Arraes quem cuida de imprimir, montar e vender os cordéis.

A escrita de Jarid Arraes é um ato político, feito a partir de um trabalho de pesquisa e resgate da memória social, coletiva, familiar e local. Porém, não se prende apenas às formas do cordel: em seu livro de poemas Um buraco com meu nome, diversifica seus temas e experimenta outras técnicas de escrita, partindo para a poesia lírica, sob influência, segundo a própria autora, de escritores como Sylvia Plath e Augusto dos Anjos.

Seu livro As Lendas de Dandara deve ganhar adaptação para a TV Globo.

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Lídia Michelle Azevedo

Formada em Comunicação Social - Jornalismo pela UFRJ, em 2009, já passou pelas redações do Jornal dos Sports, Assessoria de Imprensa do IBDD (Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiencia) Revista Ferroviária, Expresso, Extra, Canal A e atualmente está na assessoria de comunicação da Fundação Cecierj.

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