Influenciadoras serão intimadas a prestar novo depoimento após denúncia de coação

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As influenciadoras Kerollen Cunha e Nancy Gonçalves serão intimadas nesta sexta-feira (16) a prestar um novo depoimento na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), após uma denúncia de tentativa de suborno e coação feita pela mãe da criança negra que foi filmada recebendo um macaco de pelúcia.

A mulher disse que as influenciadoras chegaram a lhe oferecer dinheiro e cesta básica para não fazer a denúncia, e até ofereceram que o advogado delas fosse com a mãe às autoridades, que “estava tudo resolvido”.

A mãe da menina negra que recebeu o macaco de pelúcia afirmou que não autorizou a gravação do vídeo /Foto: Reprodução

Um dos advogados das vítimas, Marcos Moraes, disse ao G1 que as influenciadoras também pediram que a mulher mudasse o depoimento. Já a advogada das influenciadoras disse que vai deixar o caso.

A mãe e três crianças foram ouvidas pelas autoridades na última quinta-feira (15), mesmo dia que a defesa de Kerollen e Nancy anunciou que vai se afastar do caso. A delegada Rita Salim, da Decradi, informou que já abriu um novo inquérito para investigar se a mãe foi coagida pelas influenciadoras.

Em depoimento, a mãe também disse aos policiais que não autorizou a gravação e publicação das imagens, e que só tomou conhecimento do caso quando os vídeos viralizaram e ganharam grande repercussão. Além disso, ela também contou o que aconteceu no dia da gravação, quando sua filha de 8 anos saiu de casa com as outras duas irmãs para ir à padaria.

“Ela parou a minha filha de 10 anos e perguntou se podia gravar. Minha filha achou aquilo estranho e disse que iria me chamar. Mas elas falaram que sempre gravavam com crianças e que não era nada demais. Depois da gravação, a minha filha insistiu e foi me chamar. Como eu não entendo nada disso, elas falaram comigo que minhas filhas eram uma graça e foram embora sem citar a gravação”, lembra.

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A mulher explicou, também ao G1, que não havia percebido o racismo, nem sua filha, até sua sobrinha sinalizar. “Foi a minha sobrinha que contou o que tinha acontecido. Contou que a minha filha de 8 anos havia sido vítima de racismo”.

Outro advogado que orienta a família, Alexandre Moura Dumans, da Sociedade dos Advogados Criminalistas do Estado do Rio (Sacerj), destaca os problemas das atitudes das investigadas.

“Elas ofereceram vantagens e isso cabe danos morais. O que elas cometeram foi um crime de racismo recreativo e agora cometem outro crime oferecendo vantagens a essas pessoas humildes. Elas se aproveitam das condições dessa família”, explica. O advogado Marcos Moraes também explica o quanto a atitude das influenciadoras afetou negativamente a criança.

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“Após elas prestarem depoimento e terem acesso aos depoimentos, as influenciadoras passaram a mandar mensagens em um aplicativo para que a mãe das crianças mudasse o depoimento. Isso caracteriza coação e obstrução. Além disso, a criança não está indo a escola porque está sendo chamada de macaca”.

Bárbara Souza

Bárbara Souza

Carioca da gema, criada em uma cidade litorânea do interior do estado, retornou à capital para concluir a graduação. Formada em Jornalismo em 2021, possui experiência em jornalismo digital, escrita e redes sociais e dança nas horas vagas. Se empenha na construção de uma comunicação preta e antirracista.

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