Homens brancos ocupam 93% das estátuas do Rio; mulheres são 6,9% e negros, 8,5%

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Rio de Janeiro (RJ), 17/08/2023 - O Pantheon de Caxias, monumento em homenagem ao Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, em frente ao Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Das 376 personalidades imortalizadas em estátuas e bustos nas ruas do Rio de Janeiro, apenas 6,9% são mulheres e 8,5% são negras. Os homens brancos dominam os espaços públicos da cidade, representando 93,1% das homenagens. O levantamento realizado pelo O Globo, foi feito a partir do cruzamento de dados de sites especializados, mapeou 440 obras espalhadas por praças, parques e vias, revelando um retrato da desigualdade na memória oficial.

Em 2023, a Câmara Municipal aprovou a Lei 8.205/2023, que proibia novas homenagens e determinava a transferência de estátuas já existentes de escravocratas, eugenistas e pessoas que violaram direitos humanos para espaços museológicos, com placas de contextualização histórica .

A proposta, de autoria dos vereadores Chico Alencar e Mônica Benício (PSOL), foi sancionada tacitamente após o prefeito Eduardo Paes não se manifestar no prazo de 15 dias úteis . Em dezembro de 2024, a Câmara revogou a medida por 24 votos a 7, e Paes sancionou a revogação em 2 de janeiro de 2025, convertendo-a na Lei Municipal 8.780/2025 .

Os autores da revogação, vereadores como Dr. Gilberto, Rogério Amorim e Carlos Bolsonaro, justificaram a medida para “evitar que personalidades históricas de relevância para o país sejam afetadas”

-Das 376 personalidades imortalizadas em estátuas e bustos nas ruas do Rio de Janeiro, apenas 6,9% são mulheres e 8,5% são negras – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A primeira mulher a quebrar a hegemonia masculina foi Chiquinha Gonzaga, em 1942, com um busto no Passeio Público, 80 anos após a inauguração da estátua equestre de Dom Pedro I, marco inicial desse tipo de representação. Entre os negros, são apenas 29 homens e três mulheres homenageados. Militares têm forte presença, com 47 obras, enquanto a distribuição geográfica mostra que 66,9% das esculturas se concentram nas zonas Sul e Central da cidade.

Nos últimos anos, o perfil das homenagens vem mudando. Políticos e militares têm perdido espaço para artistas e figuras populares, e as obras contemporâneas tendem a ser menores, em tamanho real e sem pedestais, favorecendo a interação do público, como nos casos de Carlos Drummond de Andrade, Tom Jobim e Clarice Lispector.

A mais recente estátua é a do cineasta Cacá Diegues, inaugurada no início do mês. A programação para o futuro inclui uma homenagem à dramaturga Maria Clara Machado ainda este ano, além de celebrações para Martinho da Vila e para o sambista Tata Tancredo em 2026. A cidade também abriga mais de 50 obras de referência católica, e religiões de matriz africana ganham espaço, com quatro estátuas de Iemanjá em locais públicos.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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