Gizelly chama base de Thelma de ‘barro’ e evidencia o racismo no BBB20

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O comentário feito por Gizelly foi recebido com risos pelas demais participantes; O perfil de Thelma no Twitter explicou o que é racismo estrutural

A toalha de Thelma estava com resquício da maquiagem. Foto: Reprodução

Um novo caso de racismo foi registrado no Big Brother Brasil 20 (BBB20), na noite desta quinta-feira (2). Antes da prova do líder as participantes Marcela, Gabriela, Rafa, Manu, Gizelly e Thelma Assis estavam no “Quarto Céu” se preparando, quando a advogada pega a toalha usada por Thelma e e comenta: “Gente, eu não sei o que Thelminha passa na cara. É barro?”. A médica responde: “É minha base, ué. A minha base é marrom”. O comentário gerou risos por parte das sisters.

A participante Gizelly Bicalho, que é advogada, completa que não é pelo tom e sim pela quantidade que a médica usa. No entanto, a jovem é questionada por comparar o tom da maquiagem da colega com “barro” e não perceber o cunho racista do comentário. Afinal, uma base mais escura tende a deixar a sua pigmentação nas toalhas brancas, o que não é tão evidente com as bases claras.

Vídeo do momento em que o racismo acontece.

Os responsáveis pelas redes sociais de Thelma usaram o perfil da médica no Twitter para explicar o que é racismo estrutural e classificaram o comentário da advogada como racista. “Mais cedo Gizelly teve uma fala que se enquadra como racismo estrutural, apesar de afirmar que não é pela cor e sim pela quantidade da base que Thelma usa, ainda assim é uma fala racista. Infelizmente temos no nosso vocabulário várias palavras que são racistas e nem todo mundo sabe, como ‘denegrir’ e ‘criado mudo’, a chave para a luta contra isso é a educação e o debate saudável”, publicou o perfil.

O doutor em Direito Constitucional, Adilson Moreira, autor do livro Racismo Recreativo, explica na obra que “[…] o humor racista não possui uma natureza benigna porque ele é um meio de propagação de hostilidade racial. Ele faz parte de um projeto de dominação social que chamamos de racismo recreativo. […] Esse sistema de opressão tem o mesmo objetivo de outras formas de racismo: legitimar hierarquias raciais presentes na sociedade brasileira de forma que oportunidades sociais permaneçam nas mãos de pessoas brancas. Ele contém mecanismos que também estão presentes em outros tipos de racismo, embora tenha uma característica especial: o uso do humor para expressar hostilidade racial, estratégia que permite a operação do racismo, mas que protege a imagem social de pessoas brancas.”

A médica recentemente teve seu nome envolvido em outro ato racista. O jornalista Rodrigo Branco, em uma live comentou:“Gente posso falar uma coisa? Torcer pela Thelma é racismo. Todo mundo tá(sic) votando nela por que ela é negra coitada.”  Após algumas justificativas de Ju a favor da participante, Branco ainda assim continuou. “Semana passada ela ganhou uma provinha e ficou se achando e humilhou todo mundo”.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, fundadora e CEO do portal Notícia Preta e podcaster do Canal Futura. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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