Falta de representatividade motiva criação de bancos de imagens 100% negros

Mais da metade dos brasileiros (54%) se declaram como negros, segundo dados do Censo de 2010. Mesmo sendo maioria no país, os afrodescendentes são pouco representados em propagandas de televisão e anúncios de revistas pois, o padrão de beleza pré-estabelecido em nossa sociedade ainda é o de pessoas brancas.

Essa falta de representatividade na publicidade se vê não apenas nas campanhas publicitárias como também nos bancos de imagens. Desta necessidade em termos fotos em alta resolução de pessoas negras surgiram diversos bancos de imagens, pagos e gratuitos, como Nappy, Mulheres Invisíveis e Pretas, por exemplo. Esta também é uma forma, de “pressionar” criadores a oferecerem um material mais representativo.

Falta de representatividade motiva criação de bancos de imagens com pessoas negras

“[…] se você digitar a palavra “café” no Unsplash (outro site de imagens grátis), raramente verá uma xícara de café sendo segurada por mãos pretas. É o mesmo resultado se você digitar termos como “computador” ou “viajar”. Você pode encontrar uma ou duas imagens, mas elas são muito raras. Mas os negros também bebem café, usamos computadores e certamente amamos viajar.”, explica o site Nappy no descritivo de seu portal.

O banco de imagens Mulheres Invisíveis, além de contar com fotos de mulheres negras, possui ainda fotos de mulheres acima do peso considerado ideal, crespas e transexuais. O projeto “Young, Gifted and Black”, tendo a origem do nome na música de Nina Simone, tem como objetivo criar um banco de imagens exclusivo com modelos negras, cujo todo o processo fotográfico também seja orquestrado por profissionais negras. O projeto ainda está em fase de produção.

O pesquisador Carlos Augusto de Miranda e Martins, da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP aponta que houve o crescimento da presença do negro na publicidade nos últimos anos, porém ainda são poucos os avanços em uma representação mais positiva. Em sua dissertação de mestrado “Racismo anunciado: o negro e a publicidade no Brasil (1985-2005)”, aponta que mesmo com os esforços do movimento negro, dos intelectuais e do governo, ainda é tímido o crescimento da participação do negro na publicidade brasileira. “Ao mesmo tempo, embora diminua a presença de alguns estereótipos, há uma tendência de neutralização da imagem, sem que haja crescimento do número de anúncios em que o negro é valorizado”, afirma.

A falta de afrodescentes em campanhas publicitárias deu origem a um Projeto de Lei, em tramitação no Congresso Nacional, determina uma porcentagem mínima de negros na publicidade. O PL 4370/1998 prevê a presença mínima de 40% nas peças publicitárias apresentadas nas tevês e nos cinemas.

Fernanda Batista

Formanda em Comunicação Social - Jornalismo pela FACHA, já passou pela TV legislativa da Câmara dos Vereadores, atuando na produção de jornalismo, e na assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Direitos Humanos.

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