Empresa é obrigada a indenizar funcionária vítima de racismo em R$ 180 mil após prendê-la pelo braço com fita crepe

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Uma trabalhadora de Taubaté, em São Paulo, vítima de racismo e humilhação, será indenizada por danos morais em R$ 180 mil. A mulher teve o braço preso com fita crepe a um de seus colegas de trabalho após ser chamada de “fujona”. O valor inicial da indenização era de R$620 mil, mas a desembargadora Luciane Storel, do TRT da 15ª região, alterou o valor levando em conta, segundo ela, casos semelhantes julgados por aquele tribunal.

A decisão em segunda instância na Justiça do Trabalho é desta terça-feira (12). Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior do Trabalho.

O caso aconteceu em uma empresa do setor automobilístico, onde a vítima, que pediu para não ser identificada, trabalhou por 15 anos. Em depoimento, ela contou ter sofrido racismo por atraso e falta injustificada e disse ter recebido “parabéns pelo seu dia” no Dia da Consciência Negra.

A mulher conta ainda que um dia após sair do trabalho em seu horário normal, mas antes da liberação dos chefes, chegou na montadora e foi amarrada pelos seus pulsos e braços com fita e a obrigaram a andar pela fábrica. Enquanto ela caminhava amarrada seus supervisores diziam aos demais funcionários que “era isso que acontecia com negro fujão”.

“Passei por vários casos de preconceitos, discriminação e assédios. Mas o que mais doeu, o que foi pior – se há a possibilidade de dizer que algum foi pior ou não -, foi ser amarrada na linha para que meus colegas de trabalho pudessem ver que eu estava sendo punida por algo que não havia cometido”, disse a vítima, que pediu para não ser identificada”, contou em depoimento.

No processo, a funcionária apresentou à Justiça do Trabalho testemunhas que presenciaram a cena e comprovaram o episódio.

“Ficaram comprovados dois episódios gravíssimos, no meu entendimento, inadmissíveis, que esta Relatora nunca tinha vislumbrado em qualquer processo e que expuseram a Reclamante diante de seus colegas de trabalho, como relatado acima. É certo que as agressões merecem ser repudiadas e civilmente indenizadas”, disse a relatora do caso, Luciane Storel.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, fundadora e CEO do portal Notícia Preta e podcaster do Canal Futura. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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