Djamila Ribeiro é a 1ª negra na Academia Paulista de Letras

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A escritora, filósofa e acadêmica Djamila Ribeiro foi eleita, nesta terça-feira (24), para ocupar a cadeira de n° 28 da Academia Paulista de Letras (APL), sendo a primeira pessoa negra a fazer parte da instituição. Ela obteve 30 dos 39 votos necessários e vai ocupar a cadeira que foi de Lygia Fagundes Telles.

Djamila, que está em Milão para o lançamento da edição de “Pequeno Manual Antirracista” no idioma italiano, contou em entrevista à Revista Elle, como é ser a primeira negra a ocupar este espaço. “Sou a primeira mulher negra a ocupar essa cadeira, mas não venho sozinha, sei que essa é uma conquista coletiva, de muitas mulheres que sonharam e que lutaram pra que eu ocupasse esse lugar. Conceição Evaristo acabou de me mandar uma mensagem lindíssima: ‘Você é o sonho dos nossos ancestrais’. É muito bonito ver o reconhecimento de uma mais velha, que lutou tanto, foi inspiração e abriu tantos caminhos”, afirmou ela.

A filósofa também compartilhou no seu perfil do Instagram a alegria de ser eleita membra da APL. “Essa é a notícia, Brasil! Eu me sinto muito feliz e honrada por fazer parte da Academia Paulista de Letras. Agradeço a todos os acadêmicos e acadêmicas que votaram e me deram a oportunidade incrível de ocupar a cadeira que foi da gigante Lygia Fagundes Telles.”.

Djamila Ribeiro possui 5 livros publicados e alguns deles já foram traduzidos para o francês, espanhol, italiano e alemão. As suas obras mais conhecidas são: “O que é lugar de fala?” (2017), “Quem tem medo do feminismo negro?” (2018), “Pequeno Manual Antirracista” e “Lugar de Fala” (2019). Ela é mestre em filosofia política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), colunista dos veículos Folha de S.Paulo e da revista alemã Der Spiegel, além de coordenar a coleção literária “Feminismos Plurais”.

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Pela importância dos seus livros e o trabalho que realiza, a escritora ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas em 2020, o “Personalidade do Amanhã”, pelo governo francês, e o Prêmio Prince Claus, do Reino dos Países Baixos, ambos em 2019. 

Instituições acadêmicas brasileira tentam diversificar integrantes

A presença de Djamila na Academia Paulista de Letras, vem no mês seguinte à posse do cantor Gilberto Gil na Academia Brasileira de Letras (ABL), sendo a terceira pessoa negra a fazer parte da casa de Machado de Assis. 

Nenhuma mulher negra integrou a ABL, em 2018, a escritora Conceição Evaristo, que possui seis livros publicados e tem premiações como o Jabuti, a mais tradicional condecoração da literatura brasileira, perdeu a eleição para o cineasta branco Cacá Diegues.

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