Cultura e fé do Congado é celebrada no Festejo do Tambor Mineiro

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Por Fernanda de Souza

Crianças, jovens, adultos e idosos, todos reunidos no mesmo local em prol de louvar e agradecer pelas graças alcançadas. Assim foi a festa do Tambor Mineiro, no último domingo (18), no bairro Prado, em Belo Horizonte. A celebração do Festejo do Tambor Mineiro é idealizada pelo músico e congadeiro Maurício Tizumba e a primeira edição foi em 2002, na formatura de um curso sobre reinados e congados. A princípio, segundo Tizumba, a ideia era que o evento fosse realizado dentro do galpão do Tambor Mineiro, porém, o espaço ficou pequeno. “Dentro do galpão ficou apertado, porque convidamos muita gente, então viemos para a rua, ocupar um espaço que também é nosso, chamei os congados e tambores de amigos para fazer essa festa”, comenta Tizumba.

Mestre congadeiro, Maurício Tizumba – Foto: Patrick Arley

Com cânticos que contam a história da escravidão, da retirada de Nossa Senhora do Rosário do mar pelos negros e da libertação do nosso povo, a Guarda Marinheiro das Mercês de Itapecerica deu início a celebração levando Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia até o altar. “Viemos pela primeira vez a convite do Mestre Tizumba, é uma honra a Guarda do Marinheiro vir a essa festa tradicional e chegar com dever de levar os santos ao altar”, comenta Jorge Piscina, capitão da Guarda.

Para a celebração congadeira deste ano, o festejo reuniu 11 guardas e Irmandades do Rosário, grupos de percussão, artistas, além da Rainha Conga do Estado de Minas Gerais, Isabel Casimira Gasparino.

Uma das guardas que participa do evento desde o princípio é a Guarda de São Jorge Nossa Senhora do Rosário, vinda do bairro Concórdia, um dos bairros da cidade onde a presença do congado é mais forte. Na primeira apresentação da guarda, ela foi comandada pela capitã Wilma Lima Conceição, que ficou à frente por mais de 30 anos. Após passagem de Wilma, sua filha Kelma Gizele assumiu o comando da guarda. “Quando eu era criança tinha vergonha de falar que dançava no congado, porque os colegas falavam que eu usava pena, hoje tenho o maior orgulho de pertencer a essa guarda,” diz Kelma. 

Tambor Mineiro produzido por Maurício Tizumba – Foto: Leonardo Lara

Durante todo o evento, as guardas se apresentaram ao lado de Tizumba, manifestando fé e ancestralidade por meio da dança e cânticos, expressando a alegria durante todo o cortejo. 

Tizumba diz que não foi ele quem escolheu o Prado, o Prado foi quem o escolheu. “Infelizmente, festas que contam a cultura negra ainda sofrem muito preconceito em nossa sociedade. Quando eu coloco essa festa na rua, acredito que a gente pode trabalhar com objetivo de quebrar preconceito e o racismo. Eles ficam entendendo o que a gente faz e vê que é uma festa de muita paz e muito amor”, afirmou.

Paixão pelo Congado

Maria Alvarinda Moraes, 82 anos, é uma apaixonada pelo Congado. Ela revela que chegou em Belo Horizonte há pouco mais de 30 anos e, onde fica sabendo que tem festa de congado, sempre vai. “A primeira guarda mexeu muito comigo, senti saudade do meu povo, da pureza com que eles viviam e se dedicavam ao reinado”, diz emocionada. 

Tambor Mineiro produzido por Maurício Tizumba – Foto: Leonardo Lara

A convidada especial deste ano para fazer parte da festa foi a atriz e cantora Zezé Motta. Tizumba relata que convidou Zezé para o Festejo por ser uma voz que soma. “É a voz da diversidade. Ela conhece claramente a situação do artista negro brasileiro”, ressaltou o congadeiro.

A cantora se apresentou ao lado de Tizumba ano passado, onde foi homenageada na festa do Grande Reinado do Rosário, em Itapecerica, que completou 200 anos. Na festividade, Zezé e Tizumba foram coroados Reis Congos do Reinado do Rosário de Itapecerica.

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