Criança de 8 anos reproduz fotos inspirada em mulheres negras

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Clara reproduz fotos de mulheres negras – Foto: Reprodução/Instagram

Inspirada em mulheres negras ícones da sociedade e depois de sofrer racismo na escola, a pequena Clara Larchete, 8 anos, começou a reproduzir as fotos. Tudo começou com uma atividade escolar em que Clara tinha que reproduzir uma foto da pintora Tarsila do Amaral. Mas o resultado foi tão surpreendente que surgiu a ideia de homenagear várias mulheres negras. Segundo a mãe de Clara, Daiane Braz, nunca imaginava que sua filha que seria discriminada, mas revela que não achava que teria tanto retorno positivo. “É uma forma também para expressar a realidade de muitos negros que vivem o racismo, e ainda assim ouvindo comentários preconceituosos. É uma maneira de mostrar para a minha filha que o racismo existe, mas não nos define”, afirma Daiane em entrevista ao portal UOL.

Clara revela que há uma homenagem que gostaria de fazer, de forma especial. “A Ofélia. Ela é uma personagem preta do ‘Quintal da Cultura’ [vivida pela atriz Mafalda Pequenino] e quase todos os dias está com penteado diferente”, brinca a pequena que completa. “Acho essas homenagens muito legais porque estamos lembrando pessoas que mudaram nossa história, mulheres que lutaram pelos seus sonhos”.

Em seu perfil no Instagram, Clara já fez várias homenagens com fotos de mulheres e na legenda traz um breve histórico de cada uma delas. Daiane revela que os casos de racismo se repetiam e a primeira vez foi mais dolorosa. “Clara já sofreu racismo na escola. Na primeira vez, eu não estava preparada para aquilo, nunca imaginei que ela fosse ser discriminada. Chegou um momento que toda vez que eu a arrumava para ir para a aula, ela chorava. Se preocupava se o cabelo estava preso, não queria mais usá-lo solto. Aí contou que tinha um menino que falava que ela era feia, que cabelo era feio”, lamenta. Daiane lembra que viu na releitura de Tarsila do Amaral uma forma de ensinar a filha sobre grandes mulheres negras que foram atrás de seus sonhos. “É uma forma de dizer que ela pode ser o que ela quiser”, afirma.

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Daiane lembra ainda que todos os dados estatísticos se valem contra a população negra. “A luta, para a mulher negra e para o homem negro, é muito mais difícil. Algumas pessoas julgam você incapaz pela cor da pele que você tem”, finaliza.

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