“Considerava uma irmã”, alega mulher que não pagava salário de empregada há 54 anos

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Em depoimento ao Ministério do Trabalho no final de março de 2022, Sônia Seixas Leal, a ex-patroa de Madalena Santiago da Silva, contou que não pagava o salário da empregada doméstica porque a “considerava uma irmã”, segundo a auditora fiscal do trabalho Liane Durão.

A história de Madalena teve proporção nacional ao negar segurar na mão da jornalista Adriana Oliveira. No vídeo, que viralizou nas redes sociais, Madalena explica o motivo. “Porque ver a sua mão branca, eu pego e boto a minha em cima da sua e acho feio isso”. A entrevista foi exibida no jornal “Bahia Meio-dia” na TV Bahia, afiliada da Rede Globo no estado.

Durante 54 anos, Madalena trabalhou sem receber salário, além de sofrer maus tratos e acumulado dívidas feitas pela patroa em seu nome. A auditora Liane Durão informou que para cada irregularidade relacionada ao trabalho da doméstica será aberto um auto de infração e até o momento o Ministério do Trabalho tem entre 10 e 12 autos do processo. 

Histórias como a de Madalena não são únicas, em 27 de novembro 2020, o Brasil conheceu outra Madalena, a Gordiano, mulher negra de 46 anos que trabalhou análogo à escravidão, desde de 8 anos de idade na casa da família de Maria das Graças Milagres Rigueira. Em 26 de abril, outra família foi condenada a pagar R$670 mil por manter durante 50 anos Yolanda Ferreira em trabalho análogo à escravidão, sem receber salário e impedida de ver a família.

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Dados

Um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIESSE) em 2020, mostrou que das 5,77 milhões de mulheres empregadas do lar, 3,75 milhões eram negras no ano de 2018. Além disso, somente 27% das empregadas domésticas existentes no Brasil, em 2018, possuíam carteira de trabalho assinada. 

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