Como acertar na educação dos filhos?

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Por Simone Rosa*

Identificar, incentivar e desenvolver o filho de acordo com suas habilidades é tarefa educativa e afetiva dos pais; mas é preciso identificar também a linha tênue entre a diversão e a obrigação. Perceber os limites da criança e respeitá-los será de suma importância para seu bem estar.

Embora o esporte tenha a proposta de desenvolvimento psicomotor, social, emocional e cognitivo, também pode trazer experiências frustrantes decorrentes dos resultados competitivos de perdas, falhas, erros, exposições à críticas e julgamentos. É de responsabilidade dos pais ou cuidadores entender e modular as emoções desconfortáveis oriundas dessas experiências, trazendo clareza, de acordo com sua maturidade; compreensão e adaptação desse cenário; sobretudo, expressando uma postura acolhedora e afetiva. A criança precisa entender que está tudo bem!

Quanto mais experiências positivas na infância, melhor será a estrutura emocional desse adolescente nessa etapa do desenvolvimento.

Ainda nessa fase, o olhar atento e cuidadoso dos pais vai fazer toda diferença nos momentos de insegurança e indecisão desse jovem. Costuma ser a fase mais desafiadora nos relatos familiares. Questionamentos, confrontos e conflitos são marcas registradas desse período.

A pequena Elisa com os pais – Foto: Arquivo Pessoal

Um bom exemplo foi o que aconteceu recentemente com Elisa de Freitas, de apenas 4 anos, apelidada carinhosamente de “Minnie”. Com a conquista da medalha de prata  pela skatista Rayssa Leal, a “fadinha”, nos jogos olímpicos de Tóquio, a pequena Elisa ganhou os holofotes como uma promessa para o esporte. A menina chama atenção pelo desempenho de suas manobras. Elisa foi notícia em jornais, portais, rádios e tvs e conquistou seguidores nas redes sociais. Mas, além de admiradores e incentivadores, a menina também foi vítima de comentários racistas e de críticas aos pais pela exposição.

Os pais de Elisa garantem que não forçam a pequena a nada. Apenas perceberam o talento e o gosto pelo skate e a incentivaram, mas sempre a deixando à vontade e encarando tudo como uma grande diversão. Essa é, sem dúvida, a forma correta de agir com os filhos, quando percebemos um dom, uma habilidade. Incentivar, investir, sem obrigação ou cobranças. 

Os pais contam que Elisa começou a se interessar pelo skate aos 2 anos de idade. Aos 3, já demonstrava habilidade e coragem para fazer manobras. A pequena ama andar de skate. Encara tudo como uma grande brincadeira. Mesmo assim, foram inúmeros os comentários de que eles não deveriam expor a filha. Críticas e até mesmo insinuações maldosas.

A primeira coisa que deve ser analisada é se o sonho é realmente da criança. Mas é preciso saber o limite. Essa atividade da criança tem que ser encarada de forma lúdica. Se acertar tudo bem, se falhar tudo certo também. Não colocar como algo competitivo demais.Desenvolver o talento do filho, mas sempre respeitando o limite e deixando um tempo para as brincadeiras com outras crianças da mesma idade.O ideal é que se incentive a criança naquilo que ela tem habilidade, mas entendendo que ela tem limite e jamais ultrapassá-lo. 

Com relação à exposição pública e as inevitáveis críticas, é preciso muita conversa e proteção. Como a criança ainda não atingiu a maturidade para essas questões mais adultas, ela precisa ser preservada. Mesmo assim, como é possível que isso, de alguma forma, chegue até ela, seja até mesmo através de um coleguinha, é preciso muita conversa para que nada disso atinja a sua autoestima e se transforme em um possível problema emocional. 

De acordo com a neurociência, o cérebro ainda não está totalmente formado. O desenvolvimento neurológico das áreas que capacitam na tomada de decisão, julgamento, questionamentos, análise estão em plena evolução.

Quanto mais informação de como se dá o desenvolvimento humano nas fases infantil e adolescência, maior as chances dos pais ou cuidadores se posicionarem de forma assertiva na educação de seus filhos, com possibilidade de assumirem uma postura de compreensão, apoio, orientação e limites.

O comportamento do adolescente é resultado de suas aprendizagens na infância no ambiente familiar, escolar e social somado ao desenvolvimento neurológico pertinente a essa fase. Enfim, cada momento do desenvolvimento tem uma peculiaridade e necessidade a ser preenchida. 

A informação de todo esse processo amplia as condições dos pais em lidar com o indivíduo nas fases do seu desenvolvimento reduzindo conflitos e proporcionando adultos saudáveis nas esferas biopsicossocial.

Simone Rosa é Psicóloga, Terapeuta Cognitivo Comportamental, Coach e Analista Comportamental. 

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