Coletivo Lena Santos realiza 1º Congresso de Jornalistas Negras e Negros

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Primeiro Congresso Nacional de Jornalistas negros e negras vai contar com a participação de jornalistas de todo o país, além da presença de jornalistas da mídia negra  

o evento será realizado de forma virtual, atendendo às exigências sanitárias de combate à Covid-19 – Foto: Coletivo Lena Santos

O Coletivo Lena Santos realiza entre os dias 14 e 16 de maio, de forma online, o primeiro Congresso Nacional de Jornalistas Negras e Negros. O evento visa discutir e refletir sobre a participação de profissionais negros nas redações. O congresso surge da necessidade de ampliar os debates realizados dentro do Coletivo Lena Santos.

Uma das idealizadoras do congresso, Márcia Cruz defende a importância da diversidade nas redações e a necessidade do debate não ficar somente dentro dos coletivos, mas também ser levado a sociedade. “Percebemos que era necessário ampliar os debates que fazíamos no grupo, que era importante que essas discussões pudessem ser feitas também para sociedade de uma forma geral, para que as pessoas pudessem acompanhar.  Acreditamos que ao falar sobre diversidade, sobre a presença de pessoas negras, homens, mulheres, homens trans, mulheres trans, no jornalismo estamos defendendo um jornalismo mais democrático, mais qualificado”, diz.

Márcia destaca que a presença de corpos pretos vai trazer ao jornalismo uma abordagem mais plural nas matérias e fazer com que todos questionem o uso da linguagem, imagens utilizadas nas coberturas. “Entendemos o congresso como espaço de reflexão da gente abrir para toda a sociedade brasileira pensar o jornalismo e a diversidade questionando a ausência ou a pouca presença dos negros nas redações, mas também é momento de celebrar a nossa resistência, tudo que temos feito. Temos feito muito pelo Brasil, isso tem que ser visto e ganhar visibilidade”, afirma Márcia.

Programação do Primeiro Congresso Nacional de Jornalistas negros

O Congresso Nacional de Jornalistas Negros e Negras vai contar com a presença de jornalistas que fazem parte das principais emissoras do país, e dará espaço também para as mídias negras que estão na luta constante por patrocínio e visibilidade dentro do meio jornalístico.

Igor Rocha, coordenador regional do Notícia Preta, é uma das presenças confirmadas no congresso ao lado de Pedro Borges (Alma Preta), Larissa Carvalho (Negrê) e Viviane Pistache (Geledés), eles irão discutir sobre os desafios e conquistas de construir uma mídia negra no Brasil. “O Congresso mostra a força que a mídia preta tem. São dois dias falando de mídia contra hegemônica, de luta contra o racismo, de liberdade de imprensa como deveria ser, sem depender diretamente das grandes corporações”, comenta. Segundo Igor, o que precisa ser mudado é a visão dos bancos e das grandes empresas que não patrocinam as mídias pretas por veem a mídia contra hegemônica como um espaço de queda de receita, sendo que pesquisas comprovam que quanto maior é a diversidade, melhor é o retorno.

Igor Rocha é coordenador regional do Notícia Preta e fará parte da mesa no domingo (16) – Foto: Arquivo Pessoal

O primeiro congresso promovido pelo Coletivo Lena Santos vai abordar vários temas, entre eles a presença de profissionais negros no jornalismo esportivo. Mediador do debate, Josias Pereira, lembra que, na última Copa do Mundo, dos jornalistas brasileiros, somente dois eram negros. “Ter somente dois jornalistas negros do Brasil, em uma Copa do Mundo, não mostrou o recorte real da nossa sociedade dentro do jornalismo esportivo, em um país onde grande parte da população se considera preta”.

Henrique Frederico, do Observatório Esporte Raça é um dos convidados para debater o tema. Para ele, o congresso é mais uma forma de consolidação do Coletivo e tem tudo para difundir ainda mais a importância do jornalista negro para a sociedade. “Vou fazer parte da mesa sobre a falta de profissionais negros no jornalismo esportivo. Neste contexto, já vivi algumas situações na época em que fazia a cobertura na imprensa. Uma das mais marcantes foi sair para cobrir uma seletiva de goleiros e ser abordado como mais um garoto que faria o teste e não um jornalista”, comenta. Para Henrique esse é um tema que precisa ser bastante debatido em todas as esferas. E o Congresso está se propondo a fazer isso, não só sobre esse assunto, mas também em outros de extrema relevância.

Coletivo Lena Santos

O Coletivo Lena Santos de jornalistas negras e negros foi criado em 2019 e é composto por profissionais dos mais variados setores e veículos da imprensa. Tudo começou quando duas jornalistas mineiras, ao fazerem uma pesquisa sobre vozes negras em comunicação, identificaram alguns comunicadores atuando em redações e mídias do estado. Ele nasceu de uma ideia que se multiplicou e hoje constrói laços para mudar a realidade da comunicação brasileira, sempre com a ideia da construção de uma comunicação antirracista e representativa. O nome Lena Santos foi escolhido por meio de votação entre os membros. É uma homenagem a umas das primeiras jornalistas negras a ocupar uma bancada de jornal no Brasil, ainda na década de 60, como âncora do Jornal Hoje – Edição Minas

Serviço

Primeiro Congresso Nacional – Coletivo Lena Santos

Data: 14 a 16 de maio de 2021

As inscrições podem ser feitas através do link : https://www.sympla.com.br/i-congresso-nacional—coletivo-lena-santos-de-jornalistas-negras-e-negros__1190204

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Fernanda De Souza

Graduada em jornalismo pela Centro Universitário Uni-BH, com 7 anos de experiência com Monitoramento de Notícia (Clipping Eletrônico). Atuação na elaboração de análises quantitativas e qualitativas que atende as necessidades da assessoria de comunicação.Vivência com produção e reportagem para revista, na área cultural.

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