Casos de racismo crescem no esporte brasileiro e atingem maior índice em cinco anos

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Imagem: artegloboesporte

Dados do Observatório da Discriminação Racial revelam que de janeiro a novembro deste ano foram registrados 47 casos de racismo no futebol em todo o Brasil. O número representa um crescimento de 6,8% em relação ao ano passado, quando foram registradas 44 ocorrências.

Esta é a maior marca registrada nos últimos cinco anos. “Um dos maiores erros é enxergar cada caso como uma novidade. Todos estão inseridos em um contexto que exige preocupação e atitude”, explicou Marcelo Carvalho, diretor executivo do Observatório, ao jornal Estadão.

O racismo estrutural e estruturante presente na sociedade brasileira tem relação direta com estes casos no esporte, segundo o sociólogo Rogério Baptistini Mendes, da Universidade Mackenzie: “A abolição da escravatura foi insuficiente para inserir o negro na vida social. O que nós imaginávamos que estivesse sendo mitigado com o avanço da educação e a melhoria das condições econômicas e políticas voltou à tona com a polarização da vida social nos últimos anos”, disse o sociólogo em entrevista ao Estadão.

O Observatório da Discriminação Racial registrou 13 casos envolvendo atletas brasileiros na Europa. Em um deles, os brasileiros Taison e Dentinho foram alvo de ofensas racistas no Campeonato Ucraniano entre Shakhtar Donetsk e Dínamo de Kiev, em 10 de novembro. Taison reagiu aos cânticos racistas gesticulando e chutando a bola em direção aos torcedores rivais. Acabou expulso do jogo, que chegou a ser paralisado pelo árbitro por cerca de cinco minutos. O jogador foi suspenso por uma partida. 

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