Casal que acusou jovem negro de ter roubado bicicleta é intimado a depor na delegacia

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A Polícia Civil vai intimar ainda nesta terça-feira (15) Tomás Oliveira e Mariana Ribeiro Spinelli, o casal que acusou o instrutor de surfe Matheus Ribeiro, de 22 anos, de ter roubado uma bicicleta elétrica. Os dois prestarão esclarecimentos na 14ª DP, localizada no Leblon (RJ), bairro onde o episódio de racismo ocorreu no último sábado (12).

A empresa Papel Craft demitiu Tomás Oliveira, após o caso viralizar nas redes sociais com um vídeo gravado e publicado pela vítima. Após o caso viralizar, a empresa passou a ser cobrada para tomar uma posição quanto ao assunto. Ao responder os seguidores, a Papel Craft afirmou que já havia desligado o homem envolvido no caso de racismo. No entanto, não houve um posicionamento oficial no perfil da empresa. 

Nas imagens que viralizaram na internet, Tomás e Mariana aparecem abordando o jovem. Em certo momento, o rapaz tenta abrir a tranca da bicicleta elétrica de Matheus. Quando percebe que sua chave não abre o cadeado, Tomás se afasta. Nesta segunda-feira (14), o instrutor de surfe registrou um boletim de ocorrência.

Responsável pelo caso, a delegada Natacha Alves contou ao UOL, que vai “intimar as partes ainda hoje para serem ouvidas e seguirmos na apuração do fato”. No sábado, Mariana chegou a ir até a delegacia para prestar ocorrência sobre o furto de sua bicicleta elétrica.

Há quatro meses, Ribeiro decidiu comprar uma bicicleta elétrica usada e pagou R$ 4.500. Enquanto aguardava a namorada na porta do Shopping Leblon, Matheus foi abordado pelo casal, acusado de roubo.

No Instagram, o rapaz negro descreveu o fato. Segundo ele, foi necessário mostrar fotos antigas com o item e também a chave do cadeado para que o casal tivesse a comprovação de que a bicicleta elétrica era sua.

“Porém, eu só consegui provar que a bicicleta é minha quando – sem a minha autorização – o ‘lindo’ rapaz pegou o cadeado da minha bicicleta e tentou abrir. Eles não conseguem entender como você está ali sem ter roubado deles, não importa o quanto você prove”, relata.

Matheus conta que o rapaz branco se frustrou quando não conseguiu abrir o cadeado com a chave deles, e disse que em momento algum o acusou, apenas “estava perguntando”. Indignado, o dono da bicicleta ironiza a situação. “Um preto numa bike elétrica? No Leblon? Ah, só podia ser! ‘Acabei de perder a minha, foi ele’.”, salienta.

Matheus destaca que esse tipo de atitude é a prova de um comportamento comum dos racistas. Segundo o jovem, por mais que a moça branca não tivesse a menor ideia de quem furtou a bicicleta dela, a primeira coisa que pensou é que algum negro tinha levado.

“E para você, que é ‘pretin’ igual eu, seja cuidadoso ao andar em lugares assim. Eles [brancos] vão te culpar, para depois verem o que aconteceu”, aconselha o jovem.

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