Brasil tem 334 células nazistas em atividade, aponta levantamento inédito da Unicamp

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Integrante de grupo neonazista detido no Rio Grande do Sul (Reprodução)

Um levantamento da antropóloga da Unicamp, Adriana Abreu Magalhães Dias, um pioneira nas pesquisas sobre a ascensão da extrema-direita nos anos 2000, revela a existência de 334 células de grupos de inspiração nazistas em atividade no Brasil. A maioria se concentra nas regiões Sul e Sudeste, mas há registros também em cidades como Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Feira de Santana (BA) e Rondonópolis (MT). A reportagem é o portal de notícias UOL.

Os grupos se dividem em até 17 movimentos, entre hitleristas, supremacistas/separatistas, de negação do Holocausto ou até mesmo três seções locais da KKK (Ku Klux Klan) –duas em Blumenau (SC) e uma em Niterói (RJ).

São Paulo é o estado com maior número de células, são 99 grupos (28 só na capital), seguido por Santa Catarina (69), Paraná (66) e Rio Grande do Sul (47). Em estados sem registros de atividades até pouco tempo, como os do Centro-Oeste,  movimentos do tipo começam a ganhar corpo. Goiás, por exemplo, já tem seis células.

Cenário antigo

A pesquisa atual reflete um cenário já anunciado pela mesma antropóloga em 2013. Na época, Adriana monitorou informações sobre o neonazismo nas internet. O levantamento revelou que há 6 anos, de 2002 a 2009, o número de sites que veiculavam informações de interesse neonazistas subiu 170%, saltando de 7.600 para 20.502. No mesmo período, os comentários em fóruns sobre o tema cresceram 42.585%.

Nas redes sociais, os dados são igualmente alarmantes. Existem comunidades neonazistas, antissemitas e negacionistas em 91% das 250 redes sociais analisadas pela antropóloga. E nos últimos 9 anos, o número de blogues sobre o assunto cresceu mais de 550%.

Na época Adriana Dias explicou não ser possível descrever um único percurso para ingresso no movimento neonazista. Mas que havia uma trajetória mais comum: “Geralmente, eles atendem ao proselitismo na juventude. O jovem em busca de uma causa acaba recebido pelo grupo, que o convencem de que o negro ou o judeu tomou seu espaço no mercado de trabalho, na universidade etc”, explicou a antropóloga.

Células são grupos de três a 40 pessoas com ideais e atividades comuns. No caso dos neonazistas, segundo a Safernet, associação civil de direito privado com foco na defesa dos direitos humanos na web, trata-se de grupos que promovem a intolerância com base na ideologia nazista de superioridade e pureza racial com recursos de agressão, humilhação e discriminação. São pessoas que fabricam, comercializam, distribuem ou veiculam emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda com símbolos (como a cruz suástica) e a defesa do pensamento nazista. A entidade é responsável, entre outras atividades, por receber denúncias e as encaminhar para as autoridades, como a Polícia Federal e o Ministério Público.

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