Bombril relança produto de cunho racista e se envolve em nova polêmica

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Com a disponibilidade do produto Krespinha para vendas nas plataformas digitais da empresa, a Bombril novamente associa a marca de maneira pejorativa aos traços comuns de um cabelo afrodescendente. Em meio ao crescimento de protestos antirracistas a nível global, a distribuição do produto que carrega a descrição “perfeita para a limpeza pesada” é um dos assuntos mais comentados pela manhã desta quarta-feira (17) no Twitter.

Datado de 1952, as primeiras versões do produto Krespinha eram comercializadas pelas ruas de São Paulo, mais especificamente na loja Sabarco. Vendidas pela empresa S. A. Barros Loureiro Indústria e Comércio, a propaganda das esponjas aço inox apresentava uma personagem negra de cabelos crespos e com traços infantilizados.

O produto recém-lançado e a propaganda da primeira versão, de 1952 (Foto: Reprodução)

Além dessas informações, a imagem do item traz a prática “Black face”, um ato racista que possui a intenção de criar uma caricatura de pessoas negras no objetivo de humilhar, depreciar ou ridicularizar. Procurada pela reportagem do Notícia Preta, a Bombril ainda não se posicionou a respeito do caso.

Relembre outros casos racistas da Bombril

A empresa de higiene e limpeza doméstica, fundada em 1948 por Roberto Sampaio Ferreira, coleciona um longo histórico de propagandas com teores racistas e misóginas. Em 2012, a companhia foi denunciada por treze consumidoras para o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) pela logomarca da campanha “Mulheres que Brilham”, que tinha como imagem o cabelo próprio de mulheres afrodescendentes.

A acusação das consumidoras considerava esse fato racista, pois a empresa associava a marca de uma palha de aço às características negras. Por unanimidade, o Conselho de Ética do CONAR recomendou o arquivamento da representação em tela. Na época, em sua defesa, a Bombril informou que decidiu alterar o logotipo por causa das reclamações, porém, não reconheceu nenhum defeito ético em sua campanha.

Em outra ocasião, o famoso garoto propaganda da Bombril, Carlos Moreno protagonizou, a nível nacional, um anúncio de publicidade onde realizava a prática “Black Face” no momento de vender os produtos de higiene e limpeza.

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Ariel Freitas

Jornalista, escritor, rapper e ativista. Criado nos becos estreitos da Vila Estrutural e pelas esquinas do Morro Santana, ambos localizados na zona norte de Porto Alegre. Aos 16 anos, Ariel Freitas era campeão de freestyle na maior batalha do estado do Rio Grande do Sul, a famosa Batalha do Mercado. Atualmente, Ariel Freitas escreve sobre os impactos do racismo na Capital da desigualdade racial. Uma Porto nem tão Alegre assim.

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