Bloco carnavalesco transforma caso de racismo em samba enredo em BH

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Um caso de racismo, denunciado por Elisangela Carlos Lopes, cuidadora de idosos, em novembro de 2019, foi transformado em samba enredo pelo bloco Real Grandeza, de Belo Horizonte. Elisângela conta que sempre gostou de carnaval e, desde a adolescência, tinha como sonho participar de um desfile de carnaval. “Carnaval é a minha vida, gosto desde pequena. Não perdia na televisão, subia na mesinha da sala, imaginando um carro alegórico e ali eu fazia meu Carnaval. Na minha mente, desfilar no carnaval era uma coisa fora do meu padrão de vida, porque eu vivia com um salário mínimo, pagava aluguel e tinha um filho para criar”, lembra.

Elisangela foi vítima de racismo no final de 2019 e o caso dela se tornou samba enredo em BH – Foto: Arquivo Pessoal

Segundo ela, o sonho começou a ser realizado em 2015, quando desfilou pela primeira vez por uma escola de samba de Belo Horizonte. Em 2016, desfilou em um carro alegórico pela Portela, escola de samba do Rio de Janeiro. Já em 2018, Elisangela conheceu o bloco carnavalesco de Belo Horizonte Real Grandeza e logo se identificou. Ela participa das reuniões, ajuda na confecção de fantasias e com o tempo se tornou membro da diretoria.

Samba enredo contra o preconceito

Ainda de acordo com a cuidadora de idosos, durante uma reunião, ano passado, com os membros do bloco para decidir qual seria o samba enredo de 2020, Elisangela sugeriu que eles falassem sobre preconceito. Ela não imaginava que os compositores Viviane Santos, Vicente Dendem e Breno Alves se inspirariam na história vivida por ela. “É uma coisa que não fala de mim propriamente. Fala de você, da sua mãe, avó. Fala de todos os tipos de preconceito que existem na nossa sociedade. E ver essa história sendo transformada na minha paixão, que é o samba, é uma emoção que vou carregar para o resto da minha vida”, emocionou.

Escola de Samba Bloco Carnavalesco Real Grandeza – Foto: Real Grandeza

Viviane Santos, uma das compositoras do samba intitulado Chega! Contra o Preconceito em Geral, comenta que a canção representa todas as pessoas que enfrentam os mais variados tipos de preconceito e querem ser aceitas como são. “A gente quer ser campeão, mas é mais do que isso. Esperamos passar uma mensagem bem clara para que as pessoas levem não só na avenida, no Carnaval, mas em todos os momentos. Para que toda hora que pensarem nesse tema,  comecem uma reflexão mais profunda e que cada um possa fazer a sua parte”, relata Viviane. O Bloco Real Grandeza vai desfilar na Avenida Afonso Pena, no dia 25 de fevereiro.

Letra da música

Chega, eu disse chega Na Avenida eu vim reivindicar (BIS) 

Somos a Real Grandeza 

A resistência do meu samba vou mostrar Mulheres e negras 

Guerreiras tentando sobreviver 

Homens, héteros e gays 

De toda forma Sejam vistos como iguais 

Crianças não nascem racistas 

Vamos conscientizar 

Preconceito não leva a nada 

A esperança vai vitalizar 

Rogai por nós meu Bom Pastor 

Ilumina a igualdade social Real Grandeza (BIS) 

Orgulhosa vai à luta Contra o preconceito em geral

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Fernanda De Souza

Graduada em jornalismo pela Centro Universitário Uni-BH, com 7 anos de experiência com Monitoramento de Notícia (Clipping Eletrônico). Atuação na elaboração de análises quantitativas e qualitativas que atende as necessidades da assessoria de comunicação.Vivência com produção e reportagem para revista, na área cultural.

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