Ativista climática da Uganda é apagada de foto com Greta Thunberg

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A ativista climática da Uganda, Vanessa Nakate, acusou os agências de notícias internacionais de racismo, após ser cortada de uma foto oficial em Davos, onde aparecem quatro outras pessoas brancas, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg.  O grupo participa do Fórum Econômico Mundial.

Em um vídeo postado em uma de suas redes sociais, Nakate disse, em tom muito emocionado, que, pela primeira vez na vida, “entendeu a definição da palavra racismo”.

“Todos dizendo que eu deveria me colocar no meio está errado! Uma ativista africana tem que ficar no meio  só por medo de ser cortada? Não deveria ser assim!”, desabafou Vanessa em seu twitter.

Segundo a ativista ugandesa, várias agências, incluindo a agência de notícias AP dos EUA, a removeram das fotos.

A agência AP disse que “não houve más intenções” neste corte: “O fotógrafo estava fotografando dentro de um prazo apertado, e que a recortou unicamente por motivos de composição, porque achou que o prédio ao fundo era perturbador”, disse o diretor de fotografia da agência de notícias, David Ake, citada pela BBC News.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (24), a editora executiva da AP, Sally Buzbee, pediu desculpas pelo incidente. “Lamentamos a publicação de uma foto nesta manhã que não mostrou a ativista climática ugandense Vanessa Nakate, a única pessoa de cor na foto. Como organização de notícias, nos preocupamos profundamente em representar com precisão o mundo que cobrimos”, disse Buzbee.

A chefe da agência de notícias disse que treina sua equipe “para serem sensíveis a questões de inclusão e omissão” e que discutiu a questão pessoalmente com o profissional responsável pelo corte da foto. “Conversamos internamente com nossos jornalistas e aprenderemos com esse erro de julgamento”, acrescentou.

Na sua declaração a jovem africana sustenta que “nós não merecemos isso. África é o continente menos emissor de carbono, mas somos os mais afetados pela crise climática … Apagar as nossas vozes não vai mudar nada. Apagar as nossas histórias não vai mudar nada”.

A jovem, de 23 anos, disse que não recebeu “qualquer explicação ou pedido de desculpas” por parte da AP.

Algumas das pessoas que comentaram nas postagens de Nakate nas redes sociais disseram que outros meios de comunicação haviam “confundido” a ativista do Uganda com a ativista zambiana Natasha Mwansa.

Os principais ativistas climáticos já ofereceram o seu apoio à jovem. Incluíndo Greta Thunberg, eleita personalidade do ano pela revista Time aos 16 anos que classificou o caso de racismo como “completamente inaceitável”.

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