Ativista chama atenção nas ruas sobre o genocídio negro

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No país em que a carne negra é a mais barata, existe uma manifestação artística que vem chamando atenção. No centro do Rio Grande do Sul, em Santa Maria, o projeto “#MinhaCarneNegraImporta”, liderado pelo militante e pesquisador Gustavo Rocha (Afro Guga), questiona o público sobre as mortes cada vez mais recorrentes de pessoas negras.

Ativista durante performance na cidade de Santa Maria (RS) – Foto: Fernanda Bona

Atuante no Movimento Negro da cidade, Guga deu corpo ao projeto no início deste ano, após o caso envolvendo o assassinato do jovem Pedro Henrique Gonzaga, no supermercado Extra. Esse e tantos outros acontecimentos similares foram o gatilho para que o gaúcho, que estuda Ciências Sociais, decidisse refletir sobre o processo de Genocídio da População Negra. “A palavra Genocídio vem alertando para as diversas mortes, além do corpo físico, mas também a nossa cultura, falta de acessos a serviços e os assassinatos”, reitera Guga enquanto explica o porquê da manifestação nas ruas de Santa Maria. “Resolvi, para além dos textos, impactar algo visual, performático. Então, surgiu a ideia de postar fotos em locais públicos de Santa Maria, como se estivesse morto. Pretendo causar reflexões e chamar atenção para essas mortes”, completa.

O ponto de exclamação ganha ainda mais força quando, de acordo com o estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (Atlas da Violência 2019), 75,5% das vítimas de homicídio no país são de pessoas negras. A maior taxa de mortes da última década. Apesar da campanha nascer solitária, a ideia de Guga é expandir a ideia do projeto para as demais pessoas negras da cidade e, assim, alertar para o genocídio do povo negro. Mais do que ser performático e visual, o objetivo é conscientizar sobre os problemas históricos do racismo brasileiro. 

“O objetivo é protestar, causar algum impacto e que outros negros e negras se engajem na tag para viralizar e alertar as pessoas sobre o racismo estrutural”, finaliza.

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Luis Fernando Filho

Jornalista formado pela UFSM, militante dentro dos movimentos negros e estudantis, com experiências em veículos de comunicação independentes. Um amante do futebol e apaixonado por histórias de pessoas reais. Minha maior paixão é a reportagem.

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