Fundo Baobá lança Programa de aceleração do desenvolvimento de lideranças femininas negras: Marielle Franco

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Lançamento do Fundo Baobá no Rio de Janeiro

O Baobá, o primeiro e único fundo dedicado, exclusivamente, à promoção da equidade racial para a população negra no Brasil, lançou nesta terça-feira (03) o Programa de aceleração do desenvolvimento de lideranças femininas negras: Marielle Franco. O Fundo investirá até R$150 mil (por projeto), além de apoio técnico e institucional, em organizações da sociedade civil, grupos e coletivos liderados por mulheres negras e em lideranças femininas negras.

Com o programa, previsto para acontecer ao longo de cinco anos, o Fundo espera que as mulheres negras apoiadas tenham mais subsídios para acessar espaços de tomada de decisão, mobilizar mais pessoas para a luta antirracista, por justiça, equidade social e racial e transformar o mundo a partir de suas experiências.

O medo e o desalento só podem ser vencidos com mais coragem, mais luta e mais Marielles”

Sueli Carneiro

Durante a cerimônia de lançamento do programa, que aconteceu nesta segunda-feira (02), no Museu de Arte do Rio, Anielle Franco, jornalista, diretora do Instituto Marielle Franco e irmã da vereadora, afirmou que a luta de sua família não vai parar: “Esse tiro (que matou Marielle) saiu pela culatra. Assassinaram a Marielle mas não calaram sua voz, e não calarão. Assim como Audrey Lorde diz, “Há muitas maneiras de ser vulnerável e não posso evitá-las. Não vou me tornar ainda mais vulnerável colocando o silêncio como uma arma nas mãos dos meus inimigos” . Eles esperavam que nós recuássemos, mas nós viemos de uma família que luta e tem muita gratidão”.

A filósofa, escritora e ativista Sueli Carneiro ressaltou a relevância do prêmio para multiplicação de mulheres potentes como Marielle: “O terror da súbita e banal maneira que tirou a vida de Marielle revela a urgência de se criar meios que possam multiplicar de maneira mais eficaz e mais rapidamente a formação de novas protagonistas. Apesar da dor e da frustração que a morte de Marielle provocou em todo o país, sabermos que a nós mulheres negras não é dado o direito de esmorecer. O medo e o desalento só podem ser vencidos com mais coragem, mais luta e mais Marielles. O programa  de aceleração se propõe honrar a memória de Marielle Franco”.

Quem pode participar?

No edital “Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras”, podem participar mulheres negras ativistas ou com perfil técnico, cis, trans, residentes no Brasil, de áreas urbanas ou rurais, de qualquer faixa etária a partir de 18 anos, diversos níveis de escolaridade ou filiação religiosa, residentes no Brasil.

No edital “Fortalecimento de capacidades de organizações, grupos e coletivos de mulheres negras”, podem participar organizações, coletivos e grupos de mulheres negras, que residam no Brasil e tenham 18 anos e mais.

Como participar?

Os projetos individuais e coletivos devem ser enviados de 03 de setembro a 04 de outubro de 2019, às 23h59, horário de Brasília/DF. Só serão aceitas propostas cadastradas por meio do aplicativo do Fundo Baobá, clique aqui para acessar.

O Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco é resultado da parceria entre o Baobá – Fundo para Equidade Racial, Fundação Kellogg, Instituto Ibirapitanga, Fundação Ford e Open Society Foundations.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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