Aplicativo de transporte lança curso para motoristas

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Nos últimos meses tivemos diversas notícias relatando racismo ou injúria racial envolvendo motoristas e passageiros de aplicativos de transporte. Não é nenhuma novidade que essas tecnologias têm facilitado e até reduzido o preço dos transportes nos grandes centros, mas nota-se que o período da lua de mel com a sociedade vem terminando. 

Imagem de divulgação da campanha contra Preconceito – Foto: Divulgação 99 Pop

Algumas empresas tomam atitudes enérgicas com os motoristas, suspendendo ou mesmo cancelando o contrato com os suspeitos. Porém, são atitudes posteriores às queixas dos usuários. A 99, empresa de transporte urbano, lançou um curso de respeito e tolerância para seus mais de 600 mil motoristas em todo território nacional. O primeiro módulo é voltado para o público LGBTQ+, com palestras presenciais, ministradas por especialistas e conteúdo on line sobre conscientização sobre temas como o assédio, o racismo e a LGBTfobia. 

Segundo a diretora de marketing da empresa, Stella Brant, a plataforma educacional nasce da preocupação sobre segurança de motoristas e passageiros. “Como empresa de tecnologia que conecta essas relações, assumimos o papel social de contribuir com essa discussão e dar luz para questões sobre diversidade e respeito”, afirmou. 

Vicki Orí teve que correr atrás do veículo e mesmo assim não foi atendida – Foto: Andrezza Cajá

Casos e registros

Algumas situações chegam a beirar a incredulidade, como é o caso da percussionista Vicki Orí. Segundo ela, há algum tempo, solicitou um carro do aplicativo 99 Pop e quando viu que era uma mulher, ficou até mais tranquila, mas o preconceito acabou com aquele “encanto”. “Ela chegou na minha rua, olhou pra minha cara, virou com o carro e foi embora. E eu correndo atrás do carro, achando que ela não tinha me visto, mas ela olhou pra mim, saca? E também era branca. Então a gente sabe o por quê ela fez isso. Eu não acreditei , mas fiquei putona”, lamentou.

Ainda segundo Vicki, não foi o primeiro caso e a falta de retorno e de respeito, por parte da empresa, desmotivou a registrar uma ocorrência. “Não entrei em contato por que o 99 costuma não ser ativo nesses casos. Já perdi coisas e já houve outras situações. A gente reclama e eles não ligam”, finalizou. 

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor e coordenador regional do Notícia Preta

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