Apenas 22% dos negros ocupam cargo de chefia, aponta Instituto Locomotiva

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O estudo mostra que 69% dos líderes são pessoas não Negras – Foto: nappy.co

O levantamento “Racismos no Brasil”, realizado pelo Instituto Locomotiva, aponta que apenas dois em cada dez brasileiros já tiveram lideranças de pessoas negras nas empresas. Dentre as 1.630 pessoas entrevistadas, em 72 cidades do país, apenas 7% revelam que tiveram líderes pretos no último emprego e 15% afirmaram que tiverem chefes pardos, somando 22% de pessoas negras.

Por outro lado, 73% confirmaram que já tiveram chefes brancos e 5% eram liderados por pessoas autodeclarados amarelas
Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva ressalta que ainda existe um paralelo entre o período da escravidão e os dias atuais. “Hoje, não há mais a escravidão, mas existe uma desigualdade gigantesca que atinge a população negra”, afirma em entrevista ao site Terra.

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Meirelles lembra ainda que a falta de oportunidades para pessoas negras aumenta ainda mais esse abismo entre brancos e negros nós cargos de liderança. “Existe o processo de promoção dentro das empresas. Quando você olha para cargos mais altos, os negros não estão fora porque têm menos capacidade, mas porque não são promovidos. Quem decide a promoção são os brancos”, avalia.

Segundo o professor da Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília (UnB), Nelson Fernando Inocêncio da Silva, a falta de oportunidades para a população negra é herança colonial e, apesar de ter a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria, os cargos de liderança são majoritariamente de pessoas brancas. “Já conversei com gestores da cúpula de bancos estatais. Muitos negros entram por concurso público na instituição, mas não chegam ao alto comando, que depende de indicações. Sempre há um colega negro na empresa que era tão bom quanto quem foi promovido. Eu pergunto aos gestores: onde está aquele colega que lhe ensinou tanta coisa, instruiu e orientou, mas ficou para trás nas promoções?”, questiona.

Consequências

A pouca representatividade de pessoas negras em cargos de liderança gera outro fenômeno: salários menores. De acordo com o levantamento, homens negros, com a mesma formação superior de não negros, têm uma renda média de R$ 4.990,00 mensal. Já os não negros, possuem remuneração média mensal de R$ 7.286, sendo 46% maior.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mostram que 31% dos cargos de diretoria são ocupados por pessoas negras, enquanto os não negros somam 69%.

A margem de erro da pesquisa é de 2,1 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

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