Alunos negros sofrem mais com lento retorno às aulas presenciais, aponta estudo

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O retorno às escolas em ritmo desigual tem prejudicado alunos negros e pobres das cidades de todo Brasil. Segundo estudo realizado pelo Datafolha, em setembro, 65% dos alunos do país tiveram suas escolas reabertas, ainda que parcialmente. Entre os estudantes brancos, o índice chegou a 72%, mas ficou em 61% para os negros.

A pesquisa aconteceu entre 13 de agosto e 16 de setembro, acumulou um total de 1.301 responsáveis de 1.846 alunos negros, com idades entre 6 e 18 anos, da rede publica de ensino em todo pais. O estudo destacou que na região Sul, 90% dos estudantes já retornaram a frequentar a escola presencialmente, já na região Nordeste somente 40% dos alunos voltaram a estudar. 

A professora de inglês e doutora em leitura e cultura pela UFBA, Marieli Pereira, aponta problemas estruturais das escolas. ´´É indiscutível que a suspensão das aulas foi necessária. Contudo, a lentidão na retomada não foi causada apenas pela pandemia em si mas também pela estrutura sucateada das escolas e o sistema educacional ultrapassado, que já estavam desmotivando alunos e professores bem antes da pandemia. O impacto disso nos alunos negros é devastador. O índice de evasão está altíssimo e as desigualdades se acentuaram ainda mais”, diz. 

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A aluna do ensino técnico em informática, Brenda Soares, 18, fala sobre as diferenças entre as modalidades remota e presencial. ´´No remoto ninguém aprendi direito, alunos tinham problemas com internet e não me sentia estimulada a estudar, além dos despreparo dos professores. Com o retorno das atividades presenciais me sinto bem, estou me sentindo mais incentivada e é bom rever pessoas, apesar de usar máscara, e até o auxílio dos professores é maior, isso me faz querer continuar”, relata Brenda, que é aluna do Centro Estadual de Educação Profissional em Saúde e tecnologia da Informação Carlos Correia de Menezes Santana, em Salvador (BA).

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Bruna Rocha

Bruna Rocha é a idealizadora do projeto fotográfico Um Olhar Preto, que tem como principal objetivo enaltecer e destacar as múltiplas belezas negras. Além disso, Bruna cursa Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Jorge Amado, em Salvador/BA. Trabalhou como Repórter para Rede Bahia, também prestou serviços para Agência Mural de Jornalismo das periferia, atua como designer gráfico e filmaker.

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