A Real Luta Feminista do Dia 25 de Julho

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Por Meiriane Jordão da Silva*

Vamos falar sobre a importância do dia 25 de julho e a luta de nós mulheres negras, latino-americana e caribenha. 

É uma data de reparação histórica por nossa luta e por visibilidade que estamos no caminho. Porém, ainda sendo silenciadas por movimentos feministas que acham que sempre precisamos do aval delas para entrar e permanecer nos lugares ou ainda com a síndrome da branca salvadora. 

Parte da Exposição em homenagem a Tereza de Benguela, no Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MT) – Foto: Coletivo Negro da UFMT – Painting Art – Paty Wolff

A mulher negra vem de uma luta, caminho individual, e solitária que na grande maioria precisa ser forte e está cansada. Precisa provar a sua importância social e intelectual, nosso caminho está sempre sendo o provar. 

Não é vista como sujeito e para outras mulheres é muitas vezes criticada por sua “agressividade” e, assim, são silenciadas pelas que “acham“ que tem o direito de silenciá-las por se acharem superiores.

É sobre isso a importância do dia 25 de julho, uma luta que não nos deixa abaixar a cabeça para qualquer tipo de opressão, sendo essas as que dizem que são nossas semelhantes ou aqueles que nos querem silenciar através da tal salvação que vem do branco. 

Quando analisamos o pensamento de diversas feministas, coloco uma como principal fonte de inspiração: Lélia Gonzales que é uma inspiração quando se fala sobre o estudo afrolatino-americano e mulheres negras. Ela define as nossas dores e os nossos sonhos em textos com uma abordagem pontual sobre as mulheres negras e as dificuldades para alcançar o topo da pirâmide social . 

E aí começamos a pensar o que é feminismo e para quem? Quantas mulheres negras se viram silenciadas por outras mulheres brancas, achando que a maneira em que elas dominam a escrita era superior à nossa? Quantas vezes nos vimos em processos seletivos que nossa linguagem, postura e vestimenta não era para aquele ambiente? Nossos cabelos não eram adequados ou chamavam a atenção demais para estarmos naquele cargo? Nossas bundas chamam atenção demais? Esses são alguns empecilhos que as mulheres negras passam para ter um trabalho ou escolaridade digna. 

Bem, passei por todas essas etapas, seja no trabalho ou silenciamento de grupos “feministas”, que dizem que estão ali para levar e elevar a voz da mulher, porém me pergunto que mulheres essas mulheres representam? 

Quando, na minha escrita interferem de modo nada acadêmico, não me representam. Não necessito de lembranças históricas brancas para falar da luta que passo todos os dias e, sim, preciso de armas para levar um novo contexto sobre o feminismo negro e a sua real representação. 

Nós, mulheres negras, somos obrigadas a dominar códigos que nos diminuem e quando avançamos em um núcleo de fortalecimento, mudam esses códigos.

Estamos falando de luta e precisamos colocar para fora os nossos traumas e silenciamentos. Essa data mostra que não devemos parar, e dar voz àquelas que somente querem tirar de nós aquilo que podemos nutrir, e se tornarem os salvadores que querem nossa luta contada através de suas narrativas. Não é essa a nossa luta, nós temos o direito de falar e expressar da maneira que somos atingidas, essa data é em comemoração ao que conseguimos e o que temos que lutar, gritar e, muitas vezes, sermos a raiva. Essa data faz com que repensemos as estruturas sociais.

*Meiriane Jordão da Silva é Mestra em Mídia e Tecnologia, Professora na Unesp, professora de história e filosofia na educação de jovens e adultos (ceeja – bauru), pesquisadora em Economia Criativa no Núcleo de Pesquisa e Observação em Economia Criativa, pesquisadora em Núcleo Negro Unesp para Pesquisa e Extensão, Especialista em Antropologia Cultural. Possui graduação em História pela Universidade do Sagrado Coração (2012).

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