Mariana Aldano fala sobre o programa “Mistura Paulista”, da Globo, e sobre o lugar que ocupa enquanto jornalista negra

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No próximo sábado (20) estreia a terceira temporada do programa “Mistura Paulista” que vai ao ar na TV Globo, para o Estado de São Paulo, após o ‘Jornal Hoje’. Esta nova temporada será comandada pela jornalista Mariana Aldano, que, ao longo de 10 anos, trabalhou viajando o mundo como correspondente para Globonews e outras emissoras – na Ásia e Europa – e por Filipe Gonçalves.

No primeiro programa desta temporada, Mariana vai apresentar ao público lugares curiosos e inusitados da cidade de São Paulo, além de points da região metropolitana e do ABC Paulista. Em entrevista ao Notícia Preta, a jornalista falou mais sobre essa nova experiência, sobre ser correspondente internacional, e sobre ocupar os espaços, sendo uma profissional negra.

Mariana Aldano durante gravação do programa “Mistura Paulista” /Foto: Globo / Piero Sbragia

Sobre ser uma referência de profissional negra alcançando seu espaço ao longo dos anos viajando ao redor do mundo e agora como repórter da TV Globo em São Paulo e viajando pelo estado com esse novo programa, Mariana enfatiza que se sente muito feliz e realizada com essas conquistas profissionais, e destaca mais ainda que nada disso é uma vitória individual, citando a filosofia Ubuntu.

“Quando a gente inclui o recorte raça, as conquistas nunca são individuais. Eu honro e agradeço as que vieram antes de mim, reconheço a importância de ser espelho para meninas pretas que se enxergam em mim quando ligam a TV e me comprometo a abrir caminhos para as que vierem depois. Como diz a filosofia africana, ‘eu sou porque nós somos'”, diz Mariana.

Segundo ela, o programa com com que ela se conecte com sua essência “desbravadora e curiosa” e que lhe faz lembrar de sua própria rotina ao viajar, que muitas vezes não se limita a ter um destino.

“O mistura se propõe a isso: a descobrir. E parte do processo de produção do programa envolve caminhar sem rumo, conversar com as pessoas em todas as camadas para encontrar lugares e histórias. É uma expedição em busca do extraordinário em meio ao ordinário, ao comum”, explica a jornalista.

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Mariana Aldano também destaca a relação pessoal que a fez se ligar com o programa, já que sua cidade natal faz parte dessa expedição, afirmando ter sido “maravilhoso voltar às minhas origens, no sentido figurado e no sentido literal”.

“Nessa temporada, eu falei sobre a minha cidade natal, São Bernardo do Campo. Meu avô foi tropeiro em São Bernardo, transportava mercadoria em mula. Meu pai foi metalúrgico. E, depois de viajar o mundo, eu volto à minha cidade como jornalista para mostrar o que de melhor tem por lá. É uma alegria sem tamanho para mim e para minha família”, conta.

Com a visita ao município de Guarulhos e de Tatuapé neste primeiro episódio, a jornalista conta que a experiência trabalhando em países diferentes foi muito importante profissionalmente. “Morei em países muçulmanos, países budistas, participei de grandes coberturas internacionais que ajudaram a moldar a profissional que eu sou hoje”.

Mariana Aldano durante gravação do programa “Mistura Paulista” /Foto: Globo / Piero Sbragia

E ela reforçou que aprendizados pôde tirar com essa oportunidade. “Ter transitado por lugares tão distintos fez com que eu aprendesse a me despir diante das histórias. Me despir de prejulgamentos, me despir de preconceitos, me despir de expectativas para extrair o melhor do que o mundo tinha – e tem – a me oferecer”, explica a jornalista.

E é a partir dessa bagagem que Mariana Aldano espera que o programa “Mistura Paulista” torne a vida do público mais leve e com mais sorrisos. “Pode ser aquele sorriso de cantinho de boca ou uma gargalhada barulhenta. A gente também quer que as pessoas em seus respectivos bairros e cidades se sintam representadas. E que tenham vontade, também, de sair do sofá – depois do programa, obviamente – para viver a cidade”, diz a jornalista, com bom humor.

Bárbara Souza

Bárbara Souza

Formada em Jornalismo em 2021, atualmente trabalha como Editora no jornal Notícia Preta, onde começou como colaboradora voluntária em 2022. Carioca da gema, criada no interior do Rio, acredita em uma comunicação acessível e antirracista.

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