Das 376 personalidades imortalizadas em estátuas e bustos nas ruas do Rio de Janeiro, apenas 6,9% são mulheres e 8,5% são negras. Os homens brancos dominam os espaços públicos da cidade, representando 93,1% das homenagens. O levantamento realizado pelo O Globo, foi feito a partir do cruzamento de dados de sites especializados, mapeou 440 obras espalhadas por praças, parques e vias, revelando um retrato da desigualdade na memória oficial.
Em 2023, a Câmara Municipal aprovou a Lei 8.205/2023, que proibia novas homenagens e determinava a transferência de estátuas já existentes de escravocratas, eugenistas e pessoas que violaram direitos humanos para espaços museológicos, com placas de contextualização histórica .
A proposta, de autoria dos vereadores Chico Alencar e Mônica Benício (PSOL), foi sancionada tacitamente após o prefeito Eduardo Paes não se manifestar no prazo de 15 dias úteis . Em dezembro de 2024, a Câmara revogou a medida por 24 votos a 7, e Paes sancionou a revogação em 2 de janeiro de 2025, convertendo-a na Lei Municipal 8.780/2025 .
Os autores da revogação, vereadores como Dr. Gilberto, Rogério Amorim e Carlos Bolsonaro, justificaram a medida para “evitar que personalidades históricas de relevância para o país sejam afetadas”

A primeira mulher a quebrar a hegemonia masculina foi Chiquinha Gonzaga, em 1942, com um busto no Passeio Público, 80 anos após a inauguração da estátua equestre de Dom Pedro I, marco inicial desse tipo de representação. Entre os negros, são apenas 29 homens e três mulheres homenageados. Militares têm forte presença, com 47 obras, enquanto a distribuição geográfica mostra que 66,9% das esculturas se concentram nas zonas Sul e Central da cidade.
Nos últimos anos, o perfil das homenagens vem mudando. Políticos e militares têm perdido espaço para artistas e figuras populares, e as obras contemporâneas tendem a ser menores, em tamanho real e sem pedestais, favorecendo a interação do público, como nos casos de Carlos Drummond de Andrade, Tom Jobim e Clarice Lispector.
A mais recente estátua é a do cineasta Cacá Diegues, inaugurada no início do mês. A programação para o futuro inclui uma homenagem à dramaturga Maria Clara Machado ainda este ano, além de celebrações para Martinho da Vila e para o sambista Tata Tancredo em 2026. A cidade também abriga mais de 50 obras de referência católica, e religiões de matriz africana ganham espaço, com quatro estátuas de Iemanjá em locais públicos.
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