Vazamento de informações sigilosas coloca em risco investigação do caso Marielle Franco

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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que o vazamento de informações sigilosas sobre o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, coloca em risco a segurança das investigações, como foi revelado em reportagem do RJ2 nesta segunda-feira (12).

As promotoras Simone Sibilio e Letícia Emile – Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

As promotoras Simone Sibilio e Letícia Emile, que integravam a força-tarefa do MPRJ – ambas reclamaram de interferências externas no caso e pediram exoneração-, denunciaram o delegado da Polícia Civil Maurício Demétrio por receber – de uma pessoa ainda não identificada – informações sigilosas do caso Marielle e Anderson, segundo fontes ouvidas pela TV Globo.

De acordo com a denúncia, Demétrio “com vontade livre e consciente, em comunhão de ações e desígnio com terceiras pessoas ainda não identificadas, após ter acesso de maneira ilegal às informações sigilosas […] do caso Marielle Franco e Anderson Gomes. Dados, que fazem parte do processo, estavam no e-mail de um ex-policial civil que teve o sigilo telemático quebrado durante as investigações”.

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O ex-policial civil seria ligado à contravenção e também investigado pelas mortes da vereadora e do motorista. Demétrio dizia que o ex-policial não identificado era um desafeto dele, que o estaria monitorando, colocando sua vida em risco. Maurício Demétrio ainda narrou fatos que, em tese, o colocariam na condição de vítima de uma suposta organização criminosa. Entretanto, para as promotoras, essa foi uma demonstração de força e poder contra antigos adversários. Demétrio foi denunciado por crime de violação de sigilo.

Segundo denúncia, o então responsável pela Delegacia de Homicídios da Capital, delegado Moysés Santana, disse em depoimento ter recebido Maurício Demétrio a pedido do secretário de Polícia Civil, Alan Turnowsky, para que o ajudasse no que fosse possível. Mas que, em nenhum momento, forneceu qualquer documento de conteúdo sigiloso.

Quem mandou matar Marielle?

Mais de três anos após o assassinato de Marielle e Anderson, apenas duas pessoas foram presas. Em março de 2019, um ano após o crime, a promotora Simone Sibilio apresentou a denúncia do Ministério Público fluminense contra o policial reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, apontados como os executores do crime e presos desde então. Nem a arma do crime, nem o carro utilizado pelos assassinos foram encontrados, assim como não se sabe quem mandou matar.

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