“Sou fruto de artistas autodidatas, cresci com essa veia” revela a cordelista e apresentadora Vitória Rodrigues

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Filha do Novo Rio, povoado que abraça não mais que 3 mil habitantes, localizada na cidade de Igaci em Alagoas, Vitória Rodrigues, cordelista, atriz, cantora, compositora e a mais nova apresentadora do Cordel da Gente no GNT, aos 29 anos, relata que é cria de uma das muitas famílias de artistas autodidatas do Nordeste.

Vitória conta que é do “interiorzão” de Alagoas – Foto: Divulgação

“Minha infância foi no ‘interiorzão’, no mato. Mas também com muito incentivo artístico por conta dos meus pais, mas principalmente, da minha mãe. Produzia as festas juninas do povoado, escrevia as peças nas quais eu comecei atuando na igreja e na escola. Costureira de mão cheia, ela mesma fazia os figurinos. Meu pai é agricultor e gari, mas sempre tocou zabumba e triângulo muito bem e sempre foi muito ligado no mundo da música. Então, sou fruto dessa família, cresci com essa veia”, conta.

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Vitória revela ainda que, mesmo cercada por arte e potencialidade por todos os lados, ser fruto do interior do Nordeste trazia para o seu caminho muitos empecilhos. Porém, nunca se deixou esmorecer. “A realidade bate na cara e mostra que a gente tem que ralar muito mais, então minha mãe pediu para que eu tivesse um plano b, uma segunda opção”. retrata. Foi pensando nessa segunda opção que Vitória decidiu se formar em educação física, ingressando ainda aos 17 anos na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).  

Nordestina, persistente e visionária, pisou no Rio de Janeiro pela primeira vez aos 21 anos, chegando à cidade maravilhosa em grande estilo:  através de um convite do humorista Paulo Gustavo, para apresentar uma de suas paródias que fez em homenagem ao humorista, no famoso show “Hiperativo

Anos após esse episódio e na segunda semana após a colação de grau, o segundo encontro de Vitória com o Rio ficaria ainda mais próximo e real, marcando ali uma enorme divisão na vida da artista. Aprovada em 1º lugar na Escola de Teatro Martins Pena, Vitória passou a chamar a cidade maravilhosa de sua casa. “Aquilo foi tão significativo pra mim.. Uma forma de dizer: Olha, não é impossível não, você pode fazer arte sim”, celebra.

Do Rio de Janeiro para o Novo Rio

Foram 3 anos vivendo no Rio de Janeiro como estudante de teatro e trabalhando em academias, escolas e em festas infantis, até o início da pandemia causada pelo coronavírus, evento que levou Vitória para casa novamente e em Alagoas, deu à luz a sua virada na carreira. “Cheguei a não ter dinheiro o suficiente pra voltar pra casa quando a pandemia chegou. Lembro até hoje que só tinha 88 reais na conta e tive que pegar dinheiro com um amigo e minha mãe pra poder voltar pra casa”, comenta.

Vitória durante o processo de pesquisa para o programa – Foto: Divulgação

Mas foi em meio às incertezas vividas por toda a classe artística na pandemia e inspirada pelo chão que carregava suas raízes que Vitória passou a produzir vídeos recitando poesias e cordéis. Com sucessos de visualizações como “Plantando Paz” e “Sobre amigos e formigas” chegou a alcançar mais de 200 mil pessoas, entre elas, artistas como Lázaro Ramos, Margareth Menezes, Tatá Werneck e Taís Araújo, uma das maiores impulsionadoras do seu talento. 

Chegada ao GNT

O talento que compartilhava em suas redes sociais tomou uma proporção tão grande que Vitória chamou a atenção da produção do GNT, canal de TV por assinatura, que pouco tempo depois convidou-a para estrear na televisão, levando suas poesias e cordéis ao quadro “De Repente Verão” na edição de verão do programa Saia Justa, que fazia parte da grade do canal. 1 ano depois, Vitória retorna ao GNT, agora com seu próprio programa, o Cordel da Gente. “Quando recebi o convite, foi mais uma afirmação de que é possível. De que eu também posso fazer um programa de TV, coisa que eu nunca imaginei quando era criança, por exemplo. Sonhava muito em atuar, fazer novela… Mas programa de TV era uma coisa que estava muito além do que eu imaginava fazer”, conta com entusiasmo.

Equipe do Programa – Foto: Divulgação

Assim que recebeu o convite, a artista não pensou duas vezes. “É agora! Eles querem ouvir minha voz”, comenta. É com essa oportunidade que Vitória resgata tudo aquilo que aprendeu e somatizou desde a sua infância, cercada por arte nordestina e popular. Através da poesia popular, que abre caminhos há anos, consagrando e rememorando artistas das mais variadas cidades do nordeste. “Fiz parte de todos os processos, desde a pesquisa, até a escolha dos nomes. Em 15 dias, produzi mais de 30 cordéis sobre 30 pessoas diferentes… E o melhor é que gravamos tudo em Alagoas, na minha terra. É tudo muito significativo”, comemora.

Foi, e é assim que Vitória relembra e honra tudo aquilo que viveu, ouviu e experienciou na infância. “É através de nomes como Caju & Castanha, Mestre Verdelinho, Ariano Suassuna, Patativa do ASSARÉ, Nise da Silveira, Jackson do Pandeiro, Luiz gama, Lia de Itamaracá, Maninha Xukuru Kariri, entre outros, que resgato e projeto o futuro dos meus e daqueles que compartilham comigo as raízes nordestina no que chamo de maior desafio da minha carreira”, finaliza.

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor e coordenador regional do Notícia Preta

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