Sistema tributário brasileiro penaliza mais os pobres, sobretudo mulheres negras, aponta estudo

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Um relatório da Oxfam Brasil revela que o sistema tributário brasileiro impõe maior carga de impostos sobre os mais pobres, principalmente mulheres negras, enquanto os super-ricos concentram uma fatia desproporcional da renda nacional. O estudo será apresentado nesta quinta-feira (11) na Câmara dos Deputados, à Frente Parlamentar Mista pelo Combate às Desigualdades e foi dado em primeira mão pelo jornal O Globo.

De acordo com a organização, o 0,15% mais rico da população detém R$ 1,1 trilhão em renda, o equivalente a 14,1% do total nacional, enquanto a metade mais pobre da população soma menos que isso. Ainda segundo a Oxfam, os 10% mais pobres comprometem 32% da renda com impostos, enquanto os 0,1% mais ricos pagam apenas 10%.

Essa diferença, segundo o estudo, é consequência de uma estrutura tributária regressiva, baseada principalmente na taxação do consumo. Como a população de baixa renda destina a maior parte do que ganha à compra de bens e serviços, a carga recai de forma mais pesada sobre ela. “Em média, 70% da renda das pessoas mais pobres está atrelada ao consumo”, explicou Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, ao G1.

O relatório da Oxfam corrobora com estudo já demonstrado na matéria: “Taxar os ricos sem revogar o novo teto de gastos pode gerar mais cortes em gastos sociais”, explica mestre em economia, que mostra:

Ricos pagam menos impostos no Brasil

A taxação dos mais ricos pode corrigir a injustiça tributária brasileira, onde os mais pobres acabam pagando proporcionalmente mais impostos. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com dados da Receita Federal, mostra que quanto mais ricomenor é a alíquota efetiva paga:

Contribuintes com renda média de R$ 449 mil/ano (cerca de 800 mil pessoas) pagam uma alíquota efetiva de IR de 14,2% – o mesmo percentual pago por quem ganha R$ 6 mil/mês. A partir de $ 1,053 milhão/ano (1% mais rico), a alíquota cai para 13,6%, e para os 0,1% mais ricos (R$ 5,3 milhões/ano), ela é de 13,2%. Entre os 0,01% com renda média de R$ 26 milhões/ano, a alíquota efetiva cai ainda mais — 12,9%.

Um relatório revela que o sistema tributário brasileiro impõe maior carga de impostos sobre os mais pobres, principalmente mulheres negras – Foto: Pexels.

O relatório intitulado Arqueologia da Regressividade Tributária no Brasil mostra que impostos indiretos representam 14,8% do PIB, frente à média de 9,7% nos países da OCDE. Já a tributação sobre patrimônio é de apenas 1,5% do PIB, abaixo dos 2,4% da média internacional.

Além disso, a Oxfam destaca que famílias negras pagam mais impostos indiretos (10,8% da renda) do que famílias brancas (9,7%). Mulheres negras chefiam 65% dos lares mais pobres e são, segundo Santiago, as principais penalizadas pelo sistema atual.

O relatório é publicado em meio à tramitação do PL 1087/2025, que isenta quem ganha até R$ 5 mil mensais e aplica uma alíquota mínima de 10% para rendas acima de R$ 50 mil. A proposta beneficiaria 10 milhões de brasileiros, sendo 44% negros e 41% mulheres, conforme o governo.

A Oxfam defende, além da progressividade no IR, medidas como tributar lucros e dividendos, regulamentar impostos sobre grandes fortunas e incluir marcadores raciais nas declarações de IR.

Leia mais notícias por aqui: “Taxar os ricos sem revogar o novo teto de gastos pode gerar mais cortes em gastos sociais”, explica mestre em economia

Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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