“Se você é negro ou gay, te defendem”, diz Ronaldo sobre gordofobia, mais uma vez ignorando ser negro

Ronaldo Fenômeno

Mais uma vez o ex-jogador Ronaldo Fenômeno nega ser negro. Em entrevista ao jornal inglês Financial Times, Ronaldo criticou a militância, segundo ele, seletiva para minorias e relembrou a época onde estava acima do peso considerado ideal para um atleta e “ninguém o defendia”.

“Existem mobilizações para muitas coisas. Se você é negro, se é gay… Não me lembro de ninguém que me defendia quando me chamavam de gordo. Não me importo”, disse Ronaldo.

Ser negro nesse país é uma das piores coisas do mundo”

Nélio Nazário, pai de Ronaldo

Em 2005 Ronaldo, quando Ronaldo ainda jogava no Real Madrid na seleção brasileira, o esportista fez um comentário no mínimo infeliz sobre a discriminação racial nos estádios de futebol: “Acho que todos os negros sofrem (com o racismo). Eu, que sou branco, sofro com tamanha ignorância”, declarou o jogador na época.

Dez anos mais tarde, em 2015, o pai de Ronaldo Fenômeno, Nélio Nazário, foi vítima de racismo no condomínio de luxo onde mora no Rio de Janeiro. Irritado com o preconceito contra a cor da sua pele, Nélio fez um desabafo inflamado em seu perfil no Facebook: “Ser negro nesse país é uma das piores coisas do mundo. Agora aconteceu comigo uma das piores coisas do mundo em relação ao racismo. Estava eu esperando o elevador social, já que moro na cobertura, mas para surpresa minha ninguém veio comigo, preferiram o elevador de serviço.Mas negro é negro em qualquer lugar.E nunca ter medo ou vergonha de sua negritude”, escreveu.

A história de embranquecimento do Brasil

Ronaldo revela uma atitude que muitos negros e negras têm: a dificuldade em assumir sua negritude. E isso pode ser “explicado”, mas nunca justificado, por diversos argumentos, mas sempre levando em conta a história deste país.

Um exemplo é o resultado do censo de 1980, quando depois de anos nos quais o item raça/cor era excluído da pesquisa pela ditadura, cerca de 50% da população respondeu à questão com 136 cores diferentes. As auto-definições que, como constatou o livro “Retrato do Brasil”, de 1985, demonstram que o brasileiro tenta se aproximar, através de simbolismos de fuga, de um modelo tido como “superior”, que é o branco, fugindo assim da sua verdade étnica.

A declaração de Ronaldinho hoje é, obviamente, um muito mais grave do que é revelado por uma pesquisa realizada há 34 anos. Pois nesse espaço de tempo houve um grande avanço avanço da consciência racial no país, graças à luta constante do movimento negro. Além disso, Ronaldo, diferente da maioria da população negra no Brasil, faz parte de uma elite econômica e justamente por este motivo não precisaria fingir não ser o que todos percebem ao vê-lo: sua negritude.

Um comentário em ““Se você é negro ou gay, te defendem”, diz Ronaldo sobre gordofobia, mais uma vez ignorando ser negro

  • 16 de maio de 2019 em 10:12
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    O sentimento do Ronaldo é explicado quando se vive em bairros como Ipanema, Leblon, Lagoa ou Icaraí, vc vê varios negros que pensam, agem, se conduzem como se não fossem negros, e assim são tratados, os príncipes negros na zona sul de diversas cidades são aceitos, desde que não tratem das causas negras, pois, se falarem criarão conflitos e socialmente não serão aceitos!

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