O Brasil vai sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas, conhecida também como COP30 em Belém (PA). Mesmo com toda a movimentação em promover a justiça climática, o impacto e a importância dos riscos climáticos sobre comunidades negras, indígenas e periféricas ainda é desproporcional, a primeira carta Presidente da COP30 divulgada no início da semana, não menciona racismo ambiental.
O presidente da COP 30 André Correa do Lago divulgou a carta com objetivos contra a crise climática, visando convocar uma espécie de mutirão global. No documento, o embaixador solicita aos países superarem a atitude inércia, individual e irresponsável diante do aumento da temperatura média do mundo, que ultrapassou 1,5 °C acima dos níveis anteriores à industrialização.

Descrevendo os principais desafios da COP 30, no intuito de ampliar o financiamento climático para países em desenvolvimento, André Correa cita metas de atingir ao menos US$ 1,3 trilhão anualmente até 2035.
A carta ainda faz referência indireta aos EUA que, sob o atual governo do presidente Donald Trump, deixaram o Acordo de Paris. Tratado internacional acordado em 2015, que visa limitar o aquecimento global e reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
Ainda assim, a ausência de citação do racismo ambiental no documento relacionado a COP 30 também se destacou, já que por exemplo, na tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul do último ano, um estudo do Observatório das Metrópoles, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), apontou que foram as regiões mais pobres as mais atingidas na capital Porto Alegre.
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