“Pele clara dá mais passabilidade”, diz Preta Gil sobre as nuances do racismo

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Durante o ”Falas Afiadas”, na 9ª edição do Menos30 Fest, a cantora e empresária Preta Gil falou sobre as nuances do racismo e explicou que por ser uma mulher negra de pele clara tem mais acesso do que as pessoas de pele retinta. No papo, que teve participação da empreendedora social Ítala Herta, ela também comentou que por este motivo foi mais difícil enxergar sua negritude.

Foto: Divulgação

”Eu não entendia como mulher negra, há anos atrás, que eu tinha uma passabilidade. Muitas vezes a gente estava falando de racismo e as pessoas me perguntavam: você passa pelo racismo? E muitas vezes eu não enxergava, porque eu tenho passabilidade, que é o fato de eu ser uma mulher negra de pele clara”, comentou.

Para Preta, além do fato de ser uma mulher negra de pele clara, ter o cabelo liso e ser filha de um artista famoso – Gilberto Gil -, também lhe dá mais passabilidade.

”Eu sou mestiça e a pele clara dá uma passabilidade. Você, por exemplo (se referindo a Ítala Herta), tem cabelo black, eu tenho cabelo liso. O meu cabelo liso dá mais passabilidade. A fama do meu pai sempre me deu passabilidade”, complementou a cantora.

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A empresária disse ainda que cobra diversidade em suas equipes de trabalho, mas ressalta que suas provocações são resultado de um letramento racial.

”Eu tenho várias nuances de passabilidade que eu não entendia e que aquilo me fez muitas vezes não perceber minha própria negritude. Então, hoje, contesto tudo isso. Eu provoco a mim mesmo e os meus, seja nas minhas empresas, nos meus grupos de trabalho, eu realmente provocou: por que não tem preto aqui? por que não tem mulher aqui? Quando a gente tira as pessoas do lugar de conforto, a gente acaba conseguindo evoluir”, concluiu no papo ao G1.

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Thiago Augustto

Um filho negro adotado. Thiago Augustto faz questão de marcar sua existência pela raça e pela oportunidade de viver. Transformou o tabu da adoção num grande motivo de orgulho. É criador de conteúdo e palestrante. Se formou em jornalismo em 2014, desde então, trabalha na TV Globo Recife, atuando como produtor e repórter. No Notícia Preta, é editor e coordena os colaboradores das regiões norte e nordeste. Em 2021, criou o Futuro Black - um banco de talentos e de fontes profissionais pretas.

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