Onda antirracista faz L’Oreal e outras marcas de cosméticos retirarem termos como ‘clareador’ de seus produtos

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Fonte: AFP

A onda mundial de protestos antirracistas, após o assassinato de George Floyd nos EUA, em 25 de maio, fez com que a gigante francesa do setor de cosméticos, a L’Oréal, tomasse a decisão de retirar dos seus produtos termos  como “branco”“branqueamento” , “claro” , “clareza”  “clareamento”.

“O grupo L’Oréal decidiu remover os termos branco/clareador (white/whitening), claro/clareamento (fair/fairness, light/lightening) de todos os seus produtos destinados a homogeneizar a pele”, afirmou a empresa em comunicado publicado em inglês, neste sábado (27).

A L’Oreal não foi a primeira nem a única grande empresa a fazer mudanças em relação aos seus produtos. Diversas marcas estão sendo pressionadas a tomarem medidas antirracistas, diante da amplitude dos protestos contra o racismo que se espalharam pelo mundo todo.

Na última quinta-feira a filial indiana da Unilever anunciou que mudaria o nome de seu creme para clarear a pele, o “Fair&Lovely” (algo como “Clara&Bonita”), diante de uma campanha considerada racista. A multinacional anglo-holandesa do setor de alimentação e de cosméticos prometeu não usar mais o termo “claro” (“fair”), afirmando estar “comprometida com celebrar todos os tons de pele”.

Nos Estados Unidos, vários  grupos como “Mars” e “Oncle Ben’s”, já começam a mudar suas de identidades visuais, de forma a se adaptar a evolução da sociedade. 

A marca Johnson and Johnson proibiu esta semana a venda de produtos para clareamento, criados para o mercado na Ásia e no Oriente Médio. “O debate das últimas semanas destacou o fato de que alguns nomes, ou promessas, em nossos produtos Neutrogena e Clean & Clear, destinados a reduzir manchas, representavam a brancura, ou a clareza, como melhores do que o seu tom, único”, explica o grupo, em um comunicado citado pela emissora NPR e pelo jornal ” The New York Times”. “Essa nunca foi a nossa intenção. Uma pele saudável é uma pele bonita”, acrescenta a Johnson and Johnson, que anunciou o fim de suas linhas Neutrogena Fine Fairness e Clear F.

Nestlé muda nome de produtos da Allen’s, Lollies, Red Skins e Chicos

Até o editor das cartas Magic, uma referência para os amantes dos jogos de carta, anunciou ter removido várias imagens com representações, ou alusões, racistas. Na Austrália, os doces “Red Skins” e “Boys”, fabricados há décadas pela Allen’s, em breve mudarão de nome, devido às suas “conotações”, prometeu o grupo Nestlé.

Já a Colgate-Palmolive anunciou que pretende “reexaminar” seus cremes dentais Darlie, vendidos na Ásia, cujo nome significa “creme dental para pessoas negras” em chinês. Alguns grupos decidiram suspender sua publicidade nas mídias sociais, acusados de permitir a proliferação de comentários de ódio. Verizon, Honda, Ben & Jerry’s (Unilever), Patagonia ou North Face participam de uma campanha de boicote do Facebook, lançada por organizações da sociedade civil americana.

Já a Apple lançou uma iniciativa de “igualdade e justiça racial” de US$ 100 milhões para educação, parcerias e empresas de propriedade de pessoas negras.

A PepsiCo anunciou um plano de US$ 400 milhões em cinco anos “para apoiar comunidades negras e aumentar sua representação” dentro do grupo. Para além da mudança de nome dos produtos, no entanto, as empresas mostram um grande atraso em sua diversidade, principalmente entre os cargos de gerência.

De acordo com um relatório de 2019 do Boston Consulting Group, apenas três afro-americanos e 24 mulheres administram as 500 maiores empresas, em termos de receita, nos Estados Unidos.

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