Musical que aborda racismo no meio religioso reestreia nesta sexta-feira, 8, em São Paulo

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Foto: Reprodução

Após o longo período longe dos palcos, por causa das medidas de distanciamento social causadas pela Pandemia do Coronavírus, reestreia nesta sexta-feira (8), às 19h30, no Teatro Nissi, Centro de São Paulo, o sucesso gospel “Rua Azusa”, musical produzido pela Cia Nissi e vencedor do prêmio Bibi Ferreira, na categoria revelação em musicais de 2019. O espetáculo conta como o movimento conhecido por “Azusa street” ajudou gerações de negros norte-americanos a enfrentarem a segregação, o racismo e as marcas da escravidão através da fé e da resistência. A expectativa para a reestreia entre o público é tão grande que todos os ingressos se esgotaram para este e o próximo final de semana.

Rua Azusa é inspirado no surgimento do Movimento Pentecostal moderno e em como este fenômeno religioso quebrou a barreira do racismo em meio ao grande conflito da segregação americana. Conta a história que em 1906, William Seymour, um pastor evangélico negro, descendente de escravos, chega a Los Angeles para fazer sua pregação e é inspirado por Deus a iniciar um tipo de culto que unia negros e brancos para orar. Neste local, um galpão sujo de uma rua chamada Azusa começa um movimento antirracista.

O diretor do Musical, Caique Oliveira, em entrevista ao Notícia Preta quando a peça estreou no Rio de Janeiro, contou que o tema do racismo ainda é um tabu nas igrejas. “Na montagem da peça, durante os laboratórios, as pessoas começaram a chorar por que contaram suas historias. Uma das atrizes, por exemplo, contou que, quando começou a assumir o “black” dela, ouviu do próprio pastor: “nossa, seu cabelo era tão lindo, o que aconteceu”? E de certa forma, as igrejas estão cheias de gente, que de maneira muito sutil, vai excluindo as pessoas pelo tipo que elas têm, pelo estereótipo delas etc. E isso não combina com o Evangelho”, disse Caique.

O conteúdo da peça é algo surpreendente, aborda o tema do preconceito racial, da escravidão americana e da intolerância de todos os tipos, na mesma medida em que prega a mensagem cristã. Repertório, vozes e banda impecáveis; contextualização histórica, cenas carregadas de emoção e até uma boa dose de humor. Tudo sob medida.

Para Caique, o espetáculo é uma denúncia. “É um tapa na cara. Recebo depois muitos pastores que vêm contar sobre os preconceitos que tinham guardado. Não apenas o racismo, mas a questão da mulher também, até mesmo por uma interpretação errada da questão da mulher na bíblia. Então o Azusa abre um leque que mexe com as pessoas, confronta vários preconceitos guardados dentro das pessoas”, contou o diretor fundador da Cia Nissi.

As sessões acontecem Sexta às 19h30 e Sábado às 15h00 e às 19h30, no Teatro Nissi – Av. Brigadeiro Luís Antonio, 884, São Paulo – São Paulo. As próximas sessões estão disponíveis para os dias 22 e 23 de outubro. Os ingressos podem ser adquiridos por meio do link: https://bileto.sympla.com.br/event/69284/d/111116

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Jersey Simon

Jornalista, especialista em Comunicação estratégica, empreendedor. Na luta por um Reino de Justiça e paz.

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