Mulheres negras pagam até 140% ao ano em juros e concentram crédito mais caro, aponta Banco Central

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Mulheres negras de baixa renda enfrentam as maiores taxas de juros do país, com médias que chegam a 140% ao ano, de acordo com o Relatório de Cidadania Financeira 2025 divulgado pelo Banco Central. O levantamento também mostra que esse grupo recorre com frequência ao crédito, mas em condições mais onerosas.

O estudo, baseado em dados de 2024, traz pela primeira vez recortes por gênero e raça. Entre mulheres negras inscritas no Cadastro Único, 62% utilizam crédito. As taxas cobradas superam as de outros grupos: mulheres brancas pagam, em média, 128% ao ano, homens negros 110% e homens brancos 97%.

O Banco Central indica que o custo mais alto está ligado ao tipo de crédito utilizado. Entre mulheres negras, há maior concentração em modalidades como crédito rotativo e parcelamento do cartão, que representam cerca de 23% da carteira. Já o microcrédito produtivo, voltado a pequenos negócios, responde por apenas 4%.

Mulheres negras de baixa renda enfrentam as maiores taxas de juros do país, com médias que chegam a 140% ao ano – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

O relatório também aponta que o endividamento de risco atinge 15,4% das mulheres, acima dos 12,1% registrados entre homens. Entre os fatores estão menor acesso a educação financeira e dificuldade em obter crédito com melhores condições.

Apesar disso, o acesso ao sistema financeiro é amplo. Ao fim de 2024, 96,4% da população adulta tinha conta bancária ou de pagamento. Entre mulheres negras de baixa renda, esse índice chega a 97,8%, indicando inclusão elevada, mas com desigualdade no custo do crédito.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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