Mortes por policiais em SP reduz em 80% após instalação de câmeras nos uniformes

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De 207 para 41 mortes: este é o saldo da queda da letalidade da Polícia Militar de São Paulo (PMESP) depois da implantação do programa Olho Vivo, que prevê a instalação de câmeras nos uniformes dos agentes. Entre os meses de junho de 2021 e maio de 2022, foram vitimadas 41 pessoas, já entre junho de 2020 e maio de 2021, foram 207 pessoas mortas pelas ações da polícia paulista.

As mortes por intervenção policial caíram 80% em pouco mais de um ano – Foto: Governo de São Paulo

O levantamento, realizado pelo Uol e publicado nesta quarta-feira (6), mostra que houve redução nos números mortes por parte dos agentes em 19 dos 131 batalhões da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A média anual de mortes pelas mãos da polícia, desde o ano de 2013, quando começou a ser disponibilizados os números, é de 226 vítimas.

As lesões corporais também caíram, passando de 61 ocorrências no período anterior, para 12 casos entre junho de 2021 e maio de 2022, uma redução de 28%, segundo o levantamento. Especialistas em segurança pública dizem que as câmeras trazem transparência nas ações dos agentes, que se sentem inibidos em agredir ou matar suspeitos.

“A redução de 80% em um ano demonstra que as forças de segurança podem atuar de outra forma na contenção da criminalidade. A redução da violência com o uso das câmeras vai impactar em todo o Brasil”, afirma Silvia Virginia Silva de Souza, Conselheira Federal da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo, em entrevista ao Uol.

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Silvia lembra ainda que a Polícia Militar foi criada no Brasil colônia e o intuito era especificamente a manutenção do regime escravocrata. “A Polícia Militar no Brasil remete à chegada de dom João 6º ao Brasil [em 1808]. Sua missão era buscar escravos fugitivos. Essa essência permanece a mesma”.

O Anuário de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última semana, reflete o papel da Polícia Militar desde sua criação. Segundo o levantamento, 77% das pessoas mortas pela polícia em 2021, eram negras.

“A polícia tem muito poder nas mãos, e não é só no Brasil. É também nos Estados Unidos, na Alemanha. O abuso policial nunca vai acabar totalmente, mas o importante é que o agente perceba que a câmera também o protege”, conclui Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor do Notícia Preta.

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