O Ministério da Justiça e Segurança Pública lançou nesta quarta-feira (27) o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), uma plataforma online que reúne e centraliza informações sobre os desaparecidos em todo o país. O objetivo é facilitar a busca por pessoas desaparecidas, permitindo o acesso rápido e integrado a dados essenciais que podem auxiliar familiares, autoridades e a sociedade civil.
O sistema foi desenvolvido para receber atualizações automáticas dos boletins de ocorrência registrados nas delegacias dos estados participantes. As informações são georreferenciadas e incluem dados como nome, idade, aparência física, vestimentas, fotografia e local do desaparecimento. A ferramenta está disponível para uso público e permite que qualquer pessoa colabore nas buscas, inclusive enviando informações que possam contribuir para a localização dos desaparecidos.

Inicialmente, doze estados das regiões Norte e Nordeste aderiram ao sistema: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Maranhão, Pará, Paraíba, Piauí, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. De acordo com o ministério, o número de registros disponíveis deve crescer gradualmente, à medida que mais estados integrem suas bases de dados ao sistema nacional.
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça, em 2024 foram registrados mais de 81 mil desaparecimentos no Brasil. Desses, pouco mais de 55 mil foram solucionados, o que representa uma taxa de resolução de aproximadamente 68%. A expectativa com o CNPD é ampliar essa taxa, dando mais celeridade e eficiência ao processo de localização.
A criação do portal atende a uma demanda antiga de organizações da sociedade civil e familiares de desaparecidos, que frequentemente enfrentam dificuldades na busca por informações dispersas. Com o CNPD, o governo busca fortalecer a política de localização de pessoas e garantir respostas mais rápidas diante de situações críticas.
Perfil dos desaparecidos
Conforme o Mapa dos Desaparecidos no Brasil, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 2019 e 2021 mais de 200 mil pessoas desapareceram. Do total analisado, 54,3% eram negras (pretas e pardas). Além disso, um levantamento do Sinalid no estado do Rio Grande do Norte mostrou que 80% dos desaparecidos eram negros.
O perfil mais frequente entre os desaparecidos: jovens, do sexo masculino e negros. Dentre os números divulgados: 62,8% dos desaparecidos eram homens, e o grupo de adolescentes entre 12 e 17 anos representou cerca de 29% dos casos.
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