Em Pernambuco, município entrega álcool gel para templos religiosos e ignora terreiros

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Os povos de terreiro do Cabo de Santo Agostinho, cidade localizada no Litoral Sul de Pernambuco, fizeram um protesto cobrando à prefeitura respeito e uma atenção básica. Desde o início da semana, o município começou a distribuir equipamentos de álcool em gel e para templos religiosos, mas os terreiros não foram incluídos. Ao todo, mais de 50 igrejas e 10 bairros já foram beneficiados com os totens. A ação é uma das principais formas de combater o novo coronavírus (Covid-19).


“Não é só pela distribuição de totens de álcool em gel, a nossa reivindicação é por todo esquecimento ao nosso povo. Antes dessa ação, já teve distribuição de cestas básicas e nós, povos de terreiros, não fomos assistidos. Eles argumentam que as igrejas receberam pois são organizadas e diz que não sabem onde os terreiros ficam localizados, mas isso é uma grande mentira. Desde 2015 existe um mapeamento de todos os terreiros e mesmo assim não somos contemplados com nada. Por exemplo, existem outros projetos como isenção de impostos nesse tempo de pandemia, mas o povo do terreiro também não está sendo beneficiado com isso”, declarou Edson Gomes, representante do terreiro Ilê Asé Sangô Ayrá Ibinã e membro do Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial.


 Na publicação da campanha, a Prefeitura do Cabo diz ainda que a ação trouxe melhoria e praticidade para as igrejas beneficiadas que estão seguindo com os trabalhos dentro das exigências solicitadas. Sendo apenas 30% da capacidade, com a distância e demarcações nos lugares de assento, o uso de máscaras de proteção e a higienização das mãos com álcool em gel.

A nota diz ainda que o foi realizada diversas ações em todo o município, com orientações sobre contágio e medidas de prevenção, além da distribuição de máscaras de proteção. Também executou ações educativas e instalou lavatórios móveis para higienização das mãos em áreas de grande circulação como praças, mercados, praias e no centro.

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Thiago Augustto

Um filho negro adotado. Thiago Augustto faz questão de marcar sua existência pela raça e pela oportunidade de viver. Transformou o tabu da adoção num grande motivo de orgulho. É criador de conteúdo e palestrante. Se formou em jornalismo em 2014, desde então, trabalha na TV Globo Recife, atuando como produtor e repórter. No Notícia Preta, é editor e coordena os colaboradores das regiões norte e nordeste. Em 2021, criou o Futuro Black - um banco de talentos e de fontes profissionais pretas.

9 Comments

  • daniellydavis

    (31/07/2020 - 17:06)

    Isso não é esquecimento, isso é racismo! é de uma falta de respeito e cara de pau impressionantes.

  • Nasci numa familia evangelica .. E aos 12 anos já era do Candomble … Religiao dos meus Ancestrais … Que eu amo … Esses q se acham cristãos irao pagar por tudo q fazem contra nós. .. Duvido q Jesus concorde com essas atitudes arrogantes ..pura maldade … Coisa de gente ruim .. Mas pode ter certeza q a vida dará retorno a cada um por essa maldade … Epahei Oyá.. Epahei minha mãe 💛

  • Cleusa maria

    (01/08/2020 - 11:41)

    Respeita nossa relugiao

  • Por isso que o Brasil é um país rico e ao mesmo tempo pobre e miserável. Tudo que é do Brasil alguns brasileiros considera sem valor. Os americanos pega leva para o país dele e acaba virando ouro. E patrimônio deles.

  • Aldaci Cristina de Almeida

    (01/08/2020 - 14:37)

    Somos todos filhos de Deus. Não importa a religião. Gente basta com tanto preconceito. Nossa religião é de matriz africana sim. O que há de mal nisto. Adoramos a Deus comforme nossa ancestralidade. Não somos mais nem menos que todo e qualquer ser humano. Respeitamos toda e qualquer religião. Só queremos reciprocidade. Pra que continuar arrastando este legado de que ser da religião africana e ser do mal. O mal não está na religião e sim no ser humano que segue a religiosidade que bem aprouver. O mais importante é a fé de cada um. A maldade é própria do homem.

  • É um absurdo a descriminalização feita ao terreiro de candomblé o respeito não é para este ou aquele é para todos os cidadãos brasileiros. Qto aos quites é direito de tds que moram no municípios o Brasil é o povo e não os políticos. Cada um deles que faça sua parte pois são muito bem remu eradis para exercerem seus mandatos.

  • denilson alves

    (02/08/2020 - 11:55)

    Não estou surpreso , porque isso já esperado, um congresso que conta com uma bancada evangélica crescendo a cada mais, a tendência é sermos cada dia mais excluidos.
    Uma dica que dou vamos nos fortalecer, oficializar nossas casas, buscar amparo jurídico e exigir nossos direitos perante a lei.
    Nunca seremos aceitos por essa sociedade que se denomina cristã, arrogante preponte, fanática e ignorante.
    Façamos nossa parte!

  • Luiz Francisco

    (02/08/2020 - 19:43)

    Pai luiz Tenda Esprita Mamae Oxum. Quero Colocar Minha Opinião Sobre.Esse Fato Ocorrido. Temos Que Si Unir Quanto Essas Intolerância Religiosas. Pois Ja Não e De Agora Que Estamos Sendo Pisados.Mas Com Um Porém Quando Precisam De Votos. Eles Simplismente Vem Como Carneirinho Bater Em Nossas Portas. Temos Que Cobrar Sim.Não Aguentamos Mas Ser. Excluídos Por Outra Qualquer Religião. RJ.

  • querem tirar por preconceito racismo né isso é uma bruta sacanage que está fazendo com o babalorixa gente quando Jesus andou pelo mundo ele não pregou religião nenhuma é sim o amor. Amar o teu próximo como a ti mesmo. E isso não está sendo feito cuidado Deus não dorme vamos para com isso deixa o preconceito cada um segue a religião que sentir bem isso sim respeito em primeiro lugar da o respeito para ser respeitado

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