Mapa da Desigualdade: Mulheres são maioria das chefes de família em BH, mas os homens continuam com a maior renda

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O Mapa da Desigualdade, lançado pelo Coletivo Nossa BH, abordou diversos pontos, entre eles os indicadores sociodemográficos da população de toda Região Metropolitana de Belo Horizonte. O estudo aponta a porcentagem de mulheres responsáveis pelos lares, sendo que a maior representação está localizada em Belo Horizonte, com 44%, acompanhada de Vespasiano com 42% e Sabará com 41%. Quando dividido em bairros, 73% das chefes de família se concentram na região norte da cidade, mais especificamente no bairro Maria Teresa.  

Mulheres ainda têm renda inferior a dos homens, principalmente brancos – Foto: Nappy.co

A pesquisa aponta ainda que, mesmo que as famílias sejam em sua grande maioria responsabilidade das mulheres, os homens ainda têm renda maior. A renda dos homens brancos, em alguns bairros de BH, chega a ser 4 vezes maior do que a renda das mulheres negras. O mapa dos bairros mostra que a diferença de salários maiores está concentrada na região centro sul, enquanto a menor diferença está em Venda Nova.

Para Luana Silva Costa, coordenadora de mobilização social do Nossa BH, o mapa da desigualdade é de grande importância, pois ele vem para orientar, fazer a condução para que enxerguem com mais objetividade onde estão os problemas e em que ponto as políticas públicas precisam de mudanças na cidade. 

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Segundo ela, ao iniciar a pesquisa, o primeiro questionamento foi onde são os lugares da cidade, espaço territorial e onde estão os corpos e que cor esses corpos têm, qual gênero esses corpos carregam. “Ao falar de mulher, negritude e  periferia, essa tríade já nos coloca em um lugar, espaço, território desigual na cidade. Quando partimos dessa encruzilhada a gente percebe uma cidade que é projetada para a branquitude da cidade”, explica Luana.  

Mapa mostra a diferença entre o percentual de mulheres negras nas principais regiões de Belo Horizonte – Foto: Nossa BH

Para a coordenadora de mobilização social, fazer o mapa da desigualdade foi constatar, através de dados, o que as pessoas pretas vivem na prática. “As cidades são marcadas por uma organização desigual, produzidas de forma a garantir um funcionamento que corresponde somente os interesses dominantes. Toda uma população que não seja branca, que não seja masculina, que não seja adulta está relegada do acesso a equipamentos básicos nos territórios de Belo Horizonte e região metropolitana”, ressalta. 

Outro dado abordado pelo mapa é onde estão concentradas as pessoas que se autodeclaram pretas, o bairro São Francisco das Chagas, concentra 45% da população, enquanto bairros da região centro Sul, como Sion, Santa Lúcia e Vila Paris, concentram apenas 1% da população que se considera preta. A menor porcentagem de mulheres autodeclaradas negras também está concentrada na região centro-sul da capital mineira, onde estão os bairros nobres da cidade. “Esse mapa é muito simbólico, ele tem um núcleo embranquecido e todo o restante é preto. A centro-sul é uma ilha de branco cercada por pretos e pardos por todos os lados. Uma ilha que te proporciona acesso, oportunidades é uma ilha bem equipada. Outro trecho destacado no mapa é a Pampulha, onde metade da regional fica branca, a outra metade fica parda” Exemplifica.Luana Costa completa dizendo que a partir desse mapa percebe-se o quanto a cidade está mal organizada. “Mal distribuída no sentido das políticas públicas. O problema não está  onde as pessoas moram, mas sim como elas moram, em que condições”, conclui.

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Fernanda De Souza

Graduada em jornalismo pela Centro Universitário Uni-BH, com 7 anos de experiência com Monitoramento de Notícia (Clipping Eletrônico). Atuação na elaboração de análises quantitativas e qualitativas que atende as necessidades da assessoria de comunicação.Vivência com produção e reportagem para revista, na área cultural.

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