Igreja Universal do Reino de Deus recebeu mais de R$ 72 milhões de ex-pastor considerado ‘faraó’ das criptomoedas

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Preso na semana passada acusado num esquema de pirâmide financeira com criptomoedas, o ex-garçom e pastor  Glaidson Acácio dos Santos transferiu para contas da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), segundo levantamento da Receita Federal, aproximadamente R$ 29 milhões entre 2018 e 2020. A igreja, porém, confirma ter recebido valores ainda mais altos, de R$ 72,3 milhões, entre 4 de maio de 2020 a 12 de julho de 2021.

Em nota, a IURD confirma que Gleidson passou pela igreja e diz que ele “ingressou no treinamento pastoral da Universal em 2003 e foi desligado pouco depois por não atender aos padrões do ministério. Há alguns meses, a Igreja recebeu informações de que ele estaria assediando e recrutando fiéis e integrantes do corpo eclesiástico para participar de sua empresa, que demonstrava sinais que caracterizavam algum envolvimento com pirâmide financeira.

Segundo um registro do Ministério do Trabalho, em 2014 Glaidson Acácio dos Santos recebia cerca de R$ 800 mensais com emprego de garçom na Orla Bardot, em Búzios, na Região dos Lagos (RJ). Em alguns anos, a vida dele mudou radicalmente: ele virou milionário e em quase seis anos, movimentou R$ 38 bilhões.

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Segundo a Universal, a partir de maio de 2020 foi verificado um expressivo aumento no volume de doações recebidas por meio de transferências bancárias realizadas por Glaidson e por sua empresa, a GAS Consultoria Bitcoin. A ação da igreja afirma que, questionado pela liderança local sobre as doações, o ex-garçom respondeu que passava por “fase de grande prosperidade econômica, a partir das atividades desenvolvidas nas áreas de tecnologia e produção de softwares“.

Apesar da aparente justificativa, os valores das operações passaram a chamar muita atenção: nos últimos 14 meses, Glaidson efetuou transferências da ordem de R$ 12.813.000,00, enquanto a empresa G.A.S. doou R$ 59.490.000,00“, diz o documento, que apresentou uma planilha com as datas e valores de todas as transações.

Segundo os dados apresentados, foram 43 transferências para contas correntes da igreja, e outras 38 operações por meio de cartão de crédito. Sobre esses valores, a ação da Universal pede, em tutela de urgência, para que Glaidson apresente os comprovantes das transferências e depósitos realizados, demonstrando a origem lícita dos valores doados em no máximo cinco dias.

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Leia na íntegra a nota da Igreja Universal

UNIVERSAL JÁ HAVIA ALERTADO AS AUTORIDADES E PÚBLICO SOBRE SUSPEITA DE PIRÂMIDE FINANCEIRA

Há quase dois anos, desde o final de 2019, em inúmeras ocasiões, como provam os vídeos abaixo, a Igreja Universal do Reino de Deus vem alertando seus membros para os golpes embutidos em supostos investimentos em criptomoedas.

A Universal tomou esta atitude exatamente porque tem ciência de que um dos alvos destas pirâmides financeiras são as pessoas de boa-fé, especialmente das comunidades evangélicas. Todos sabem que o sucesso de uma pirâmide financeira depende da entrada constante de novos investidores. Daí a razão destas empresas buscarem se infiltrar em clubes, associações, corporações e especialmente igrejas, a fim de se valerem do espírito fraterno e de confiança que une seus membros. A Universal não compactua com nenhuma atividade ilícita, por mais ganhos que possa gerar. Ofertas que procedam de engano, fraude e injustiça não têm valor algum para Deus.

Quanto a Glaidson Acácio dos Santos, informamos que ele ingressou no treinamento pastoral da Universal em 2003 e foi desligado pouco depois por não atender aos padrões do ministério. Há alguns meses, a Igreja recebeu informações de que ele estaria assediando e recrutando fiéis e integrantes do corpo eclesiástico para participar de sua empresa, que demonstrava sinais que caracterizavam algum envolvimento com pirâmide financeira.

Para combater isso, além dos constantes alertas dados publicamente em seus cultos e programações de TV e rádio, a Universal tem feito rigorosas averiguações internas para assegurar que seus oficiais não promovam e muito menos se envolvam com estas pirâmides. É por esse rigor que alguns já não fazem mais parte do quadro de pastores da igreja.

Além disso, em maio deste ano, a Universal apresentou uma notícia-crime na Justiça contra os envolvidos. Mais recentemente, foi aberto um processo judicial cível para que Glaidson confirme à Igreja que os dízimos e doações que ofereceu como frequentador, têm origem lícita. Ou seja, muito antes da operação policial da última semana que resultou na prisão de Glaidson, a Universal já vem alertando e cooperando com as autoridades para as devidas investigações.

Veja a resposta, também na íntegra, enviada pela GAS Consultoria:

“A G.A.S Consultoria possui rotinas de processamento de repasses e pagamentos dos valores acertados em contratos dos clientes de forma descentralizada. Essas movimentações são de capital de terceiros (clientes), sendo transferido para empresas do Grupo GAS.

É de conhecimento público que os bancos tradicionais possuem a prática arbitrária de bloquear e até mesmo encerrar contas de pessoas físicas e pessoas jurídicas sem aviso prévio, simplesmente por estarem envolvidas no mercado de criptoativos.

Zelando pela segurança de seus cliente e com objetivo de manter o compromisso de pagamentos de todos os contratos, com faz em quase uma década de existência, a G.A.S Consultoria sempre adotou a prática de fazer pagamentos adiantados, pois no caso de bloqueio de qualquer conta de pagamento, existem outras contas para garantir que nenhum cliente fique sem receber. Por gerenciamento estratégico, a G.A.S adota a prática de utilização de múltiplas contas de segurança, tanto de pessoas jurídicas como de pessoas físicas ligadas à operação da empresa, em diversos bancos e em âmbito nacional.”

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