Fotógrafo lança cordéis com histórias de moradores da comunidade de Manguinhos

Fotógrafo de profissão e agitador cultural de coração, Leo Salo lançou o ‘Projeto Memória de Manguinhos em Cordel’. A ideia surgiu em 2015, com o intuito de divulgar manifestações culturais e artísticas da comunidade de Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O projeto é uma das ações do coletivo Experimentalismo Brabo, fundado por Leo. 

Leo Salo

Os cordéis foram publicados com o apoio da Awesome Foundation e do Museu da Vida. Leo Salo conta que o objetivo do ‘Memória de Manguinhos em Cordel’ é propagar histórias de atores sociais da região.  

“Todos se referem à região como Faixa de Gaza, unicamente considerando o abandono do Estado e as questões de violência, mas pouca gente fala sobre o que temos de bom na favela. Com a falta de conhecimento sobre histórias de luta, trabalho e resistência, as pessoas acabam falando apenas das situações que as afastam desse território, e pouco se fala de perspectivas que poderiam aproximar os moradores, ou mesmo quem é de fora”. 

Entre outras histórias, três mulheres negras, moradoras da comunidade, são personagens desses cordéis. Tia Lauzinha, dona de um tradicional boteco que reúne a maioria das pessoas que fazem parte do circuito cultural local. Norma Maria, psicopedagoga, criadora de um projeto de apoio às famílias de crianças com deficiência; e a artista mineira Celeste Estrela, compositora, atriz e poetisa. As publicações são distribuídas gratuitamente pelo autor nas escolas e em outros espaços da região; em eventos que contam com a presença das três homenageadas.

Tia Lauzinha e Celeste Estrela

Quando perguntado sobre a importância desse trabalho, Leo Salo responde com uma fala do pesquisador Felipe Eugênio (Diretor do Ecomuseu de Manguinhos/Redeccap): “Há duas dimensões para se avaliar a importância de cordéis sobre essas pessoas. Em primeiro, pela valorização dos saberes que eles trazem consigo e que, na trajetória que cumpriram no território, acabam por serem, em muitas das vezes, um tipo de conhecimento que se confunde com a história comunitária… A outra dimensão que deve ser valorizada é sobre o veículo cordel. Que opera com uma gramática da arte, da poética dos versos, não abrindo mão do humor, para contar sobre a trajetória dessas figuras icônicas – e gritos – desses territórios. O cordel ilumina no lugar de apenas instruir”.

Louise Freire

Jornalista e apaixonada por livros. Concluiu sua graduação em 2016 e no mesmo ano estagiou em uma revista. Participou da produção de um programa da TV Brasil e trabalhou como produtora audiovisual.

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