Folha de São Paulo Publica artigo sobre “racismo reverso”

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O jornal Folha de São Paulo, em uma coluna de opinião, publicou um texto de autoria do Poeta, romancista e antropólogo, Antonio Risério, em que ele afirma que “Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo”, deixando entender que racismo reverso existe.

Cartaz durante protesto em SP. – Foto: Reprodução

Em um dos argumentos, Risério diz que, sob a capa do discurso antirracista, esquerda e movimento negro reproduzem projeto supremacista, tornando o neorracismo identitário mais norma que exceção. “Todo o mundo sabe que existe racismo branco antipreto. Quanto ao racismo preto antibranco, quase ninguém quer saber. Porém, quem quer que observe a cena racial do mundo vê que o racismo negro é um fato”, afirmou.

Outra alegação que o autor se apega é que ninguém precisa ter poder para ser racista, e pretos já contam com instrumentos de poder para institucionalizar o seu racismo. “A história ensina: quem hoje figura na posição de oprimido pode ter sido opressor no passado e voltar a ser no futuro. Muçulmanos escravizaram e mataram multidões de pretos durante séculos de tráfico negreiro na África”, comenta.

Em entrevista ao programa Saia Justa, do canal por assinatura GNT, o professor Sílvio Almeida enfatiza que o racismo reverso chega a ser “ridículo”. Ele argumenta que usar o termo dá a impressão de que existe um lado certo do racismo. “Ou seja, é certo quando é um branco contra um negro. Se é o negro contra o branco, é reverso. Então já começa o absurdo por aí”, afirma.

Almeida lembra também que racismo é uma situação que envolve relações de poder. “O negro pode ser mal educado? Pode. O negro pode ser preconceituoso? Pode. Ele pode discriminar? Pode. Mas ele não pode fazer isso sistemicamente. Brancos não perdem empregos por que são brancos, eles não são mortos pela polícia por que são brancos. E a raça é algo que precisa de alguma maneira estar em algum lugar da gente que naturalizou a existência da raça”, pontua.

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“Você vê um policial branco, com o joelho no pescoço de um homem negro, a gente, automaticamente, associa isso com o racismo, por quê? Por que antes da produção dessa cena já existe um cenário e antes desse cenário, você já tem todo um script que faz com que aqueles atores tenham que usar um lugar que vai nos permitir identificar aquele ato como um ato racista”, conclui.

Posição NP

Artigos de opinião são bem vindos e normais às mídias, no entanto, é necessário um filtro para que esses textos, mesmo não representando a opinião e posição do jornal, não levem o leitor à uma ideia distorcida da realidade. Como já disse o professor Sílvio Almeida, “racismo reverso não existe” e a Folha, uma formadora de opinião, um jornal com mais de um século de história, tem responsabilidade de não levar a desinformação aos seus leitores e sociedade.

No NP existe uma editoria chamada “Opinião” que recebemos artigos de profissionais e especialistas sobre temas variados. Mesmo refletindo a opinião do articulista, existe um filtro, realizado pelos editores do veículo para que não seja leva à população, principalmente à comunidade negra, nenhum tipo de desinformação ou informações que levem nosso leitor a acreditar em uma realidade inexistente.

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