Negros têm mais risco de morrer de Covid-19, mesmo executando atividades de destaque, aponta estudo

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Um estudo realizado pela Rede de Pesquisa Solidária aponta que mesmo, estando no topo da pirâmide social, negros tem mais risco de morrer de Covid-19 que os brancos. Os pesquisadores examinaram dados do ano de 2020, vindos do Ministério da Saúde, onde 67,5 mil pessoas morreram de Covid-19.

Engenheiros ou arquitetos negros tem 44% a mais de risco de morrer de Covid-19 – Foto: Bebeto Matthews / Associate Press

De acordo com o levantamento, os trabalhadores da área de comércio e serviços foram os mais atingidos, nesse grupo ocupacional onde foi confirmada a morte de 6.420 de Covid-19.

Pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, o sociólogo Ian Prates comenta que, antes do levantamento dos dados, se pensava que a mortalidade era maior entre os negros, pois trabalhavam em atividades mais expostas ao vírus, porém, foi constatado, durante a pesquisa, que nem sempre isso é verdade.

O estudo apontou que os homens negros tem risco maior, que os brancos, em todas as atividades, exceto a agricultura. “O fato de o risco ser maior, até para os que exercem profissões de nível superior, mostra o tamanho da nossa tragédia”, comentou Iam em entrevista a Folha de S. Paulo. O pesquisador finaliza dizendo que esses dados sugerem que, mesmo os negros que ascenderam profissionalmente, continuam expostos a fatores de risco que aprofundam a desigualdade.

Homens negros que ocupam cargos de engenheiros ou arquitetos tem 44% a mais de risco de morrer de Covid-19 que os brancos, destacando também os profissionais da comunicação, com 45%, e os da educação com 52% .

O estudo também mostra o risco significativo de morte por Covid-19 para mulheres negras, principalmente para as que exercem cargos que ficam na base da pirâmide. “Um exemplo são as trabalhadoras que desempenham serviços domésticos que tem risco de 112%, acompanhado pelas trabalhadoras da limpeza urbana, com 75% a mais de risco que os enfrentados pelos brancos”, afirma o estudo.

O estudo não conseguiu identificar diferença relevante para as mulheres negras que ocupam cargo de nível superior, porque existe poucas mulheres nessas atividades.

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Fernanda De Souza

Graduada em jornalismo pela Centro Universitário Uni-BH, com 7 anos de experiência com Monitoramento de Notícia (Clipping Eletrônico). Atuação na elaboração de análises quantitativas e qualitativas que atende as necessidades da assessoria de comunicação.Vivência com produção e reportagem para revista, na área cultural.

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