Estudante quilombola da UFRB é assassinada e polícia suspeita de feminicídio

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A estudante do sétimo semestre de serviço social da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Elitânia de Souza da Hora, de 25 anos, foi assassinada a tiros na noite desta quarta-feira (27), em Cachoeira, cidade do Recôncavo baiano. A polícia acredita que seja mais um caso de feminicídio. O ex-namorado de Elitânia, filho de juiz federal, não teve o nome divulgado até o momento.

Testemunhas apontam que três tiros foram ouvidos e o autor teria fugido andando. A universidade decretou luto oficial de três dias e as aulas foram no Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL), onde Elitânia de Souza estudava, foram suspensas. 

O vice-reitor da UFRB, José Pereira Mascarenhas Bisneto, emitiu nota de pesar: “As terríveis circunstâncias do crime contra Elitânia causam tristeza e indignação de toda a comunidade acadêmica. A UFRB deposita sua confiança nas autoridades para que a justiça seja feita”, e informou que a universidade estava em contato com a família para prestar a devida assistência.

Usando a hashtag #ElitaniaPresente, o Coletivo Unificado dos Estudantes Quilombolas da UFRB usou as redes sociais para pedir justiça. “Agora será nossa vez de clamar por justiça. Que o sangue derramado dos nossos não seja esquecido e que a justiça de Deus se faça eficaz e infalível”, diz a postagem feita ṕelo grupo.

A Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia divulgou nota de repúguio ao feminicídio. “A violência contra a mulher, incluindo a sua forma mais bruta e cruel que é o feminicídio, é a principal violação dos direitos humanos. Governos e sociedade precisam estar juntos para enfrentar esse problema, já considerado uma epidemia. Cada assassinato de mulher, cada feminicídio, representa o nosso fracasso enquanto sociedade”, disse a secretária da SPM-BA, Julieta Palmeira.

O corpo da jovem está no Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Santo Amaro, sendo que a delegacia de Cachoeira, onde o crime aconteceu, investiga o caso. 

Feminicídio é maior entre as mulheres negras no Brasil

A maioria das vítimas de feminicídio (61%) são negras e 70,7% destas estudam até o ensino fundamental, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública com dados de 2017 e 2018, divulgado neste ano. Ainda segundo o anuário, 88,8% dos autores de crimes são companheiros ou ex das vítimas.

Mulheres com idade entre 30 e 39 anos são maioria das vítimas, 29,8%, seguidas pelas mulheres com idade entre 20 e 29 anos, que representam 28,2%. Em 65,6% dos casos, as mortes acontecem nas residências das vítimas.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, fundadora e CEO do portal Notícia Preta e podcaster do Canal Futura. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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