Escolas da Califórnia ignoram ameaças de Trump e lançam programa antirracista

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O Departamento de Educação da Califórnia afirmou que vai adotar um programa de aulas de antirracismo e treinamento a professores nas escolas do estado. O anúncio foi feito na última segunda-feira (21), dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter condenado o ensino da escravidão como um princípio fundador do país e ter pedido uma “educação mais patriótica”.

Escolas do estado vão abordar a escravidão como um dos pilares da sociedade americana (Foto: David McNew/Getty Images)

Tony Thurmond, superintendente de Instrução Pública, apontou que o assassinato de George Floyd, o bullying sofrido por asiáticos nos EUA por conta do coronavírus e ondas de antissemitismo que se propagam desde as eleições de 2016 foram as razões que levaram à criação do projeto.

“Nós continuamos a assistir a indescritíveis atos de racismo nas televisões, seja da brutalidade policial ou daqueles que se prendem a símbolos que representam o ódio contra afro-americanos, remetendo à escravidão. É doloroso. Às vezes, não tenho certeza do que fazer. Mas, em momentos assim, eu me lembro que a educação ainda é uma das maiores ferramentas no combate ao ódio”, declarou Thurmond, durante uma conferência para anunciar o programa.

Na semana passada, Trump disse que assinaria uma ordem executiva para estabelecer uma “Comissão de 1776”, em resposta ao “Projeto 1619” – uma produção do New York Times que visa a trazer a escravização e os debates raciais para o centro da narrativa da história dos Estados Unidos. O ano, 1619, é referência à data em que os primeiros escravizados chegaram ao estado de Virgínia. A iniciativa foi adaptada para dentro do currículo escolar para que os colégios pudessem usar, entendendo a escravidão como raiz do racismo sistêmico no país.

No início de setembro, Trump postou uma mensagem no Twitter ameaçando cortar o financiamento das escolas da Califórnia que aderissem ao Projeto 1619. Thurmond, por sua vez, achou “ridículo” o post do presidente.

“Eu não sei como dizer isso de outra forma, mas eu penso que o tweet do presidente foi ridículo, imprudente e irresponsável por sugerir que escolas teriam, de alguma maneira, seus fundos ameaçados por simplesmente ensinarem a história e os fatos de que o racismo existiu neste país e que há profundos impactos desde a escravidão”, disparou Tony.

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